domingo, 22 de junho de 2014

Visitando a dona Vilma

Eu tenho meu grau de sensibilidade, então, depois que a Dona Vilma saiu do hospital eu ia visitá-la com frequência em sua casa – já que ela se recusava em ficar no apartamento do Herry, reclamava do barulho do centro da cidade – e isso da a ela a oportunidade de aproveitar mais seus dias com o bisneto. Ela mora agora em um lugar mais tranquilo de Bridgeport, em uma casa confortável, do lado rico da cidade.



Desta vez o Henry estava do lado de fora para nos receber.
- Atrasada Jully
- Não marquei hora, disse lá pelas duas e quinze, e não deve ser duas e meio ainda....
- Tudo bem Jully, só estava brincando, a vovó está na sala esperando por vocês, fique a vontade.
 - Ah... – ele deu meia volta e veio falar comigo novamente. – A vovó anda com umas manias estranhas e eu aconselho não discutir com ela, já senti o peso de sua bengala na minha cabeça ontem – ele riu com a lembrança o que me fez rir também imaginando a cena –depois olhou para o Gustavo com muito carinho – Papai já volta lhe deu um beijo na testa e saiu.



Dei duas batidinhas na porta e entrei, ela estava mesmo na sala com seu livro de receitas na mão. Não era difícil de notar como a idade estava caindo sobre ela. Além das rugas, os seus cabelos mais brancos e sua postura ainda mais curvada denunciavam de que ela estava com sua saúde um pouco debilitada.
- Boa tarde Dona Vilma. – Anunciei novamente a minha chegada com o tom um pouco acima do normal, para que me escutasse.



 - Sente-se aqui minha filha – ela falou docemente – Quem sou eu para desobedecer depois do que o Henry disse? – e esse menino? Parece com vergonha da vovó, deveria deixar ele ainda mais aqui comigo Julia.
Não é desconfiando da capacidade do passado dela, mas não acho que deixar o Guto aqui sozinho com ela atualmente seja uma boa ideia, ela não está em boas condições nem de se cuidar sozinha, mas evitei, acredito eu que com sabedoria, de fazer tal comentário.
- Um dia dona Vilma, quando o Henry puder ajuda-la com ele pode ter certeza que ele ficará aqui com a senhora.



Ela levantou-se e eu educadamente fiz o mesmo, pegou o Gustavo com certa dificuldade e o levou para o andar de cima da casa.
- Olha o que a vovó mandou fazer para você querido.  – No andar superior ela (provavelmente com a ajuda do Henry) mobiliou um quarto só para ele.  – Aquele baú de brinquedos ali era do seu pai, tem muita coisa ali dentro, vai lá ver.
- Ficou lindo dona Vilma, agora ele realmente tem um lugar para ele quando vier passar a noite aqui.
- Que pode ser hoje, não pode? Ando tão sozinha, você poderia passar a noite aqui comigo... O Henry vive em seus plantões no hospital... A voz dela soou tão triste, não consegui dizer não.
Deixamos o Gustavo brincando ali e fomos para o corredor, ela apontou dois outros quartos.



 - Você pode ficar ali naquele quarto que fica vazio e este aqui de frente é o do Henry quando ele consegue um tempo no hospital e vem ficar aqui comigo. – Vou preparar um chá.
Fui ver o quarto, até que é aconchegante, e quando ia sair de lá senti alguém me abraçar por trás.
- Ela conseguiu te dobrar, né? Essa velhota está ficando esperta – Ah que sensação é essa? Um arrepio subiu pela minha coluna quando senti sua respiração perto da minha orelha.



Desviei, mas ele me prendeu contra a parede, parecia estar se divertindo, ficou claro meu desconforto com a situação, acho que ele conseguia ouvir meu coração de tão forte que batia, ou com sua visão de médico notou como a veia do meu pescoço simplesmente tremia de tão agitada que eu estava.
- Quer que eu te leve para buscar roupas ou alguma coisa que está faltando?
- Eu posso ir sozinha Bebê, dirijo a mais tempo que você caso não se lembre. Fica com sua avó e o Gustavo que eu já volto. – Passei por debaixo do seu braço e corri para a porta. Dava para ouvir seu sorriso. Disparei escada abaixo e fui buscar as coisas na minha casa, com sorte ele não estaria mais lá quando eu voltasse. 


sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Notícias

Ele me seguiu até a mesa, comemos sanduíches e depois servi minha especialidade, torta de abóbora – tá, foi a primeira vez que eu fiz, mas ficou gostosa – a conversa fluía bem, ele é uma pessoa bem simpática rimos bastante. 



Peguei a minha única garrafa de vinho, levei para a sala, servi uma taça para cada e sentamos no sofá. O assunto continuou descontraído até de repente eu me vi flertando com o Fred. Não estou importando se ele é ou não um galinha, apenas sei o que eu estou sentindo no momento que é uma enorme atração por ele.


Sem pensar duas vezes pulei em seu colo e o beijei, foi ai que notei como eu estava me sentindo carente. A coisa foi esquentando e minha casa é muito pequena com apenas um quarto em que o Gustavo estava dormindo. Lá não, de forma alguma então nos restava apenas o tapete da sala, e foi pra lá que eu o puxei.



Quando voltei a me vestir ele se aproximou novamente.
- Melhor colocar logo sua roupa e ir embora, logo o meu filho acorda e quero você longe daqui quando isso acontecer.
- Se quer assim, tudo bem, nos vemos amanhã então?
- Claro, afinal trabalhamos juntos. – E meu telefone começou a tocar – Era o Henry.



- Oi Henry, tudo bem?
- Oi Jully, só queria saber como o Gustavo está.
- Poderia ter vindo fazer uma visita, disse que poderia vir quando sentisse saudades.
- Hoje eu não posso, vou ter que dormir no hospital novamente a vovó está internada, e sabe, ela só tem a mim... Fala pra ele que o papai mandou um beijo, tá? Desculpa não poder falar mais, estou de plantão. Beijos
- Espero que fique tudo bem com a sua avó Henry, darei o recado. – Desliguei o telefone – Então estava explicado porque ele ainda não tinha aparecido.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Agora tenho o meu lar em Bridgeport

Havia somente dois dias que tinha me mudado para a nova casa, não tem nada melhor do que chegar à MINHA casa. Agora sim eu me sentia melhor, o Gustavo por sua vez não parecia muito contente, devia estar sentindo a falta do pai.
Então mesmo com o chão coberto de neve achei melhor leva-lo para passear um pouco, mas voltamos logo além dele ter adormecido no meio do passeio a neve voltou a cair e já estava formando uma densa camada pelo chão.  Coloquei na cama junto com seu bichinho de pelúcia e logo em seguida a campainha tocou



Pensei que fosse o Henry ele não entrou em contato durante os dois dias e deveria ter vindo ver o filho.
- O que está fazendo aqui? – Não estava entendendo o que o Fred estaria fazendo na minha casa.
- Está nevando pra cacete e é assim que você me recebe? Vai me convidar para entrar ou quer que eu congele aqui fora enquanto você decide? 



- Acabei de chegar e não estava esperando visitas hoje, não sabia que você vinha, na verdade nem tinha ideia que você sabia meu endereço, agora se me der licença fica ai que eu vou tirar essa roupa e colocar meu filho no berço antes que ele caia da cama.
- Eu sei dar o meu jeitinho para conseguir informações Julia, e acredite, não foi difícil.
- Não é segredo nacional onde moro, só foi inesperado te ver aqui. – Não estava preocupada como ele chegou até minha casa eu o deixei lá e fui me trocar.




Quando eu voltei ele também havia tirado o casaco e parecia bem à vontade no meio da pequena sala.
- Só queria saber se não precisa da minha ajuda. – Ele achava que eu iria cair nessa?
- Tá bom, eu vou fingir que acredito na sua boa vontade.  Está com fome?
- Na verdade sim, acabei de vir de um ensaio e não comi nada até agora.
- Bem, então fique por ai e assista TV se quiser eu vou preparar alguma coisa pra gente comer.




Ele me seguiu até a cozinha e ficou me observando enquanto preparava uns sanduíches para nós.
- Quer ajuda?
- E você sabe cozinhar por acaso?
- Sanduíches sim, aprendi a fazer algumas coisas afinal eu moro sozinho e convenhamos que aquelas comidas de delivery não são das melhores e logo enjoamos delas. – Apenas acenei concordando, eu nunca tive grana sobrando para ficar pedindo comida em casa ainda mais a ponto de enjoar.
- Pronto, vamos comer.