sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Um show de mágica


A semana começou como outra qualquer com as mães trazendo e buscando as crianças entre elas, é claro, a Estella.
Na quarta-feira bem no final do meu horário de trabalho o meu telefone tocou e era um numero desconhecido.
- Alô?
- Oi Lia, fiquei de te ligar para lembrar sobre a apresentação do mágico. Vai ser amanhã, vocês vem? – Com certeza eu estaria um bagaço, mas seria bom pro Guto um pouco de diversão depois do final de semana sem passear.
- Claro que sim e obrigada por avisar.



Assim que outro dia passou corri para tomar um banho e me arrumar e arrumar o Gustavo provavelmente chegaria em cima da hora, acho que preciso urgentemente comprar um carro em suaves prestações, por que assim não está dando certo.
Quando chegamos estava guardado um lugar para nós dois perto do palco. Deixei o Gustavo ali brincando em cima da toalha e olhava enquanto o mágico subia ao palco. – Era o mesmo que eu fui à apresentação em Bridgeport



Claro que a plateia sempre é convidada a participar de algum truque e dessa vez foi a minha vez. Tentei recusar, mas foi pior quando a própria plateia insiste para aceitar o convite. Não me sinto confortável aparecendo em publico dessa forma desde que eu vim de Bridgeport sempre parece que o Henry vai aparecer e descobrir sobre meu filho. Uma mulher assistente da produção veio ficar com o Guto para que eu subisse ao palco e mesmo desconfiada de deixa-lo ali vi o Moisés acenando positivamente com a cabeça. Ainda percorri com os olhos pra ter certeza que não precisaria sair dali correndo. Tudo ok, mesmo assim não via a hora de sair de lá de cima.
Ainda vi o Guto lá de baixo me chamando com as mãozinhas



Assim que terminou o Moisés fez um gesto para que eu esperasse um pouco e passado alguns minutos ele veio ao meu encontro perguntar se havíamos gostado e se precisávamos de alguma coisa. Agradeci por tudo e até gostaria de ficar mais um pouco mesmo estando cansada, mas o Gustavo já mostrava sinal de sono.
- Deixa para uma próxima vez, mesmo assim obrigada.
- Posso te levar até sua casa se quiser. – Quase disse não já que eu nem morava tão longe dali mesmo, mas por que mesmo faria isso?
- Se não for te atrapalhar eu aceito. –
- Eu só vou pegar as chaves e minhas coisas. Já volto.




Ele chegou e estacionou o carro atravessando na calçada para que saíssemos. –
- Está entregue disse fechando a porta assim que eu desci do carro.
- Tenho que colocar ele pra dormir, gostaria de entrar? Não tenho nada de alcoólico já que aqui o que mais se toma é leite, mas se quiser posso fazer um suco.
- Não se preocupe, não quero incomodar, mas aceito o convite para entrar. 
Levei meu pequeno para o quarto enquanto ele esperava na sala toda bagunçada por sinal.



- Desculpe a bagunça não deu tempo para arrumar nada por aqui.
- Acha mesmo que com você aqui eu iria olhar para alguma outra coisa? – Meu coração quase saltou para fora da boca quando ele começou a passar as mãos nos meus cabelos e foi aproximando devagar talvez com medo de eu não estar a fim. Eu sei o que eu queria só não sabia se era o certo a se fazer. – Sabe eu moro sozinha com um bebê e cuido de outras crianças... E se começassem a falar mal de mim? Já cheguei à cidade sozinha, grávida e eu preciso muito do meu emprego. Quer saber? Melhor não pensar. Tomei a iniciativa e o beijei.



Deixamos nossas roupas pelo caminho até meu quarto eu o puxei para minha cama e deixei acontecer. – Claro que nunca mais faria isso sem as devidas precauções. – embora eu estivesse muito a fim e por mais que eu tentei não foi como na minha expectativa. Não a culpa não era dele a culpa era minha. Culpa do meu corpo e da minha mente que sabia que ele não era quem eu queria que fosse. Também não foi tão ruim assim eu só precisava ter relaxado um pouco mais. 
Eu ainda permaneci um pouco acordada mas depois de um tempo eu adormeci. 




Acordei poucas horas depois sentindo um beijo nos meus cabelos e suas mãos percorrendo meu ombro e minhas costas.
- Eu tenho que ir. – sussurrou baixinho.
- Que horas são? – Perguntei ainda com preguiça sem conseguir ao menos abrir direito os olhos.
- São cinco e meia, mas eu tenho que passar em casa primeiro pra tomar um banho e me arrumar. Não posso chegar ao trabalho com a mesma roupa que usei ontem.
- Eu vou levantar também. Tenho que arrumar a casa antes das crianças chegarem. Quer pelo menos um café antes de ir? – Na verdade eu queria mesmo é dormir por mais meia hora.
-Não eu estou bem. – Só o senti levantar da cama e dormi novamente e só acordei uma hora depois com o Gustavo chamando do seu quarto. 



domingo, 16 de setembro de 2012

Um tempinho para mim


Sabe quando sua vida está um tédio por completo? Passou todo o final de semana e eu fiquei trancada em casa sem vontade de sair só assistindo TV e brincando com o Gustavo e quando ele estava quase caindo no sono deitado no meu colo eu resolvi tomar uma atitude depois de anos pensando apenas nele.
- Filho a mamãe precisa sair um pouco e já volta tá? Vou chamar a Ana pra ficar olhando você até a hora da mamãe voltar, não vou demorar. – O deitei com cuidado no berço e fui me arrumar.



Não fiz uma superprodução, na verdade eu preciso comprar roupas novas pra sair. Fui a um lugar badalado na cidade, mas mesmo depois de ver pessoas desafinadas cantando no karaokê e tentar dançar um pouco eu não me sentia bem naquele lugar. Só me fez pensar que eles deveriam contratar alguém que fizesse bebidas melhores do que aquela coisa que eu bebi que tinha gosto de remédio e nem conseguia identificar do que era feito.


Não era tarde quando sai daquele lugar e achei que seria uma boa ideia cortar caminho passando pelo parque. Tudo tão diferente de quando eu curtia a noite em Bridge...  Havia poucas pessoas no parque ali perto entre elas um homem de cabelos claros que eu reconheci já que sempre o vejo por aqui quando venho aqui com o Gustavo. Quando olhei novamente ele sorriu e veio em minha direção.
- Boa noite, é um milagre te ver sozinha por aqui.
- Eu quase não saio sozinha mesmo muito menos de noite, mas hoje deu vontade.
- E será que eu posso te fazer companhia? – Depois de anos sozinha porque eu iria recusar a presença de um homem bonito ao meu lado?


Conversamos por um bom tempo e ele me falou  – além do seu nome que é Moisés – que trabalha como produtor e sempre traz atrações para o parque e ama tudo relacionado ao mundo artístico. E eu falei um pouco sobre mim e sobre o Gustavo já que minha vida nunca foi lá grandes coisas e eu nunca fiz nada de interessante e mesmo assim ele continuou parecer interessado em tudo que eu falava.
Por fim eu olhei para o céu e dei um longo suspiro. Eu precisava voltar para casa já que o fim de semana havia terminado e tenho que me preparar para outra semana com os pequenos.
- A noite está linda, mas eu preciso ir agora.
-Mas já? Não pode ficar mais um pouquinho?



- Eu tenho um filho esperando e vou caminhando devagar aproveitando a brisa e dando mais uma olhada por ai.
- Durante a semana vai haver um show com o melhor mágico da cidade e gostaria muito que você viesse e aposto que seu filho iria adorar.
- Eu não vou prometer, mas farei o possível para lembrar. Durante a semana eu tenho tanta coisa pra fazer que sempre eu acabo esquecendo de algo.
- Se me der o número do seu telefone eu posso ligar para te lembrar.
- Claro – tentei disfarçar meu nervosismo enquanto ele pegava seu celular para agendar o número do meu telefone no seu celular. – Nem imaginam o tempo que isso não acontece comigo. 





terça-feira, 11 de setembro de 2012

Um dia nada bom

Hoje eu levantei assustada. Fazia muito tempo que eu não acordava tão atrasada como hoje. Gustavo já estava acordado e brincando no berço. Vesti meu uniforme as pressas, arrumei a cama e peguei o Gustavo antes do restante das crianças começarem a chegar.
- Desculpa filho a mamãe perdeu a hora – Dei seu beijo de bom dia e fui limpar a pia afinal tudo tem que estar adequado com as normas de higiene.



 Mas sabe o dia que tudo parece dar errado? Tudo mesmo!  A torneira resolveu quebrar e começou um inicio de inundação na minha cozinha. Ainda faltavam dez minutos e algum adiantado tocou a campainha e eu não sabia se atendia a campainha ou continuava a ligação para o técnico, mas como é falta de educação deixar um cliente esperando abri a porta e era a Rebecca nos braços do seu pai.
- Sem querer abusar será que hoje eu poderia deixar a Rebecca... – eu não deixei continuar.
- Só um momento, por favor, eu estou resolvendo um pequeno problema aqui e já falo com o senhor. – E finalmente o técnico atendeu ao telefone e insistia em não ter tempo para me atender naquele momento.



- O senhor não está entendendo moço eu tenho cinco crianças para cuidar e minha casa está com uma cachoeira na cozinha, não da pra esperar.  Daqui uma hora? Está brincando, né? O senhor mora dez minutos da minha casa... – Sinceramente eu estava bem perto de mandar ele para um lugar bem feio naquele momento se não fosse o Martin estar com a Rebecca ali.
O Martin entrou e levou a Rebecca para o quarto do Guto e voltou em seguida.



- Com licença – Ele disse tirando o telefone da minha mão.
- Mas é que eu preciso resolver isso agora.
- Eu percebi – ele disse sorrindo – Deixa pra lá senhor, ela não precisa mais, obrigado.  – e desligou
- Como assim eu não preciso? Claro que preciso e com urgência as crianças vão começar a chegar daqui a pouco.
- Atende elas lá fora e fala que elas precisam de atividades ao ar livre ou coisa do tipo que eu dou um jeito nisso aqui, pode deixar.



Montei um tapete próprio para as crianças do lado de fora, peguei alguns brinquedos e levei a Rebecca e o Gustavo.  Logo as outras crianças chegaram e eu precisei entrar e pegar as mamadeiras na cozinha. Ele estava lá terminando de arrumar a torneira com uma habilidade incrível com aquela chave que não tenho a menor ideia do nome e pra que eu precisava saber se o que me interessou é quem a esta segurando?
- Terminei! Viu como foi rápido? Pode trazer as crianças se quiser agora é só secar o chão.
Eu não poderia mesmo deixa-las ali fora enquanto secava o chão então as trouxe para dentro.



Mesmo dizendo que não era necessário ele me ajudou a secar o chão para terminar tudo mais rápido e isso mesmo sem querer fazia com que me sentisse mais apaixonada e como tudo na minha vida sempre é pela pessoa errada, ou eu sou a errada? Não sei ainda, mas estar gostando de um homem casado – pelo menos ainda é casado – não parece ser a coisa mais certa do mundo.
- Lia? Você está bem?
- Hãm? O que foi?
- Disse que tenho que ir. – Disse fazendo o gesto com a mão – Não acredito que eu fiquei sonhando acordada enquanto ele falava comigo. No mínimo estava com cara de idiota.




- Ah sim, obrigada pela ajuda Sr. Martin .
- Não precisa ficar me chamando de senhor.  Você poderia arrumar alguma coisa para secar meu rosto?
- Claro eu já volto – Fui e voltei em um piscar de olhos mantendo minha concentração para não cair no meio da sala e voltei com lenços de papel.
- Tem algum problema se eu pegar a Rebecca um pouco mais tarde hoje?
- Não, claro que não...
- Eu vou encontrar com a Estella à tarde e devo atrasar um pouco...
- O senhor não precisa explicar. – Eu passaria bem sem saber dessa informação...




Depois do expediente da creche eu aproveitei e tomei um banho rápido enquanto eles brincavam no quarto.  Estava indo ver se eles precisavam de alguma coisa quando a campainha tocou. Fui atender a porta e a decepção foi tanta ao dar de cara com a Estella do outro lado da porta.
- Eu vim buscar a Rebecca, desculpe pelo atraso Lia.
- Oi Estella, não tem problema algum eu vou buscar a Rebecca. – Eu fui lá e peguei a menina e entreguei a sua mãe. – Eles se entenderam e ela está de volta.  Que idiota eu fui me iludindo com um homem casado. 




quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Trabalho e mais trabalho

Então agora vocês já sabem o que eu fiz esse tempo que passei longe de Bridgeport. Está longe de ser uma vida agitada como eu estava acostumada, nada de baladas e nada de vida social. Nada mesmo.

Minha vida é essa da minha casa para o trabalho e do trabalho pra casa, a não esperem! Resume-se de casa pra casa e da casa pra casa já que meu trabalho é em casa. Emocionante, não é? Agora também tenho que manter a casa organizada – coisa que eu não fazia – diga-se de passagem.



Meu trabalho não é o melhor, mas também não é o pior agora eu tenho quatro crianças para tomar conta, cinco contando com o meu e quanto mais crianças maior é meu salário. Então eu espero que logo a prefeitura me de a licença para cuidar de cinco.
Não eu não estou doida, Só que eu estou conseguindo juntar algum dinheiro e quando o Guto estiver mais velho e puder se virar sozinho eu vou largar esse emprego e procurar outro mais compensador e quem sabe eu tenha tempo pra mim e arrumo alguém. 



Tem dois dias que eu faço a mesma rotina de me levantar, cuidar do Guto e me cuidar. Tudo preparado para a chegada dos pequenos e a Rebecca nem sinal de vida. Dois dias são muita coisa, peguei o telefone e liguei para a Estella, mas deu caixa postal. Então me restou fazer uma coisa que eu nunca havia feito antes: Ligar para a casa dela. Também não atendeu. – Estranho já que ela não avisou que iria viajar. Será que a Rebecca estava doente?




No final do expediente peguei o Gustavo e fui até a casa dela que é pertinho daqui. Não precisei chegar muito perto para ver que havia gente em casa. Os gritos eram escutados de longe. Aproximei-me mais e a vi segurando a Rebecca enquanto continuava a berrar com o marido. Não aguentei e fui até eles.
- Estella deixa a Rebecca fora disso, por favor. Deixe-me levá-la para casa até isso terminar. – Nem precisei insistir e ela empurrou a menina para os meus braços.
- Depois eu passo lá para pegar.  – falou como se a menina fosse uma coisa qualquer, Ali eu não ficava nem mais um minuto e muito menos as crianças.



Segurei os dois no colo e fui caminhando até em casa a sorte é que é perto quase não aguentei o peso dos dois no meu colo ainda mais com o Guto comemorando no meu colo a companhia da sua amiga, porém mesmo a felicidade deles não disfarçou os gritos dela que ainda se ouvia ao longe. Quando chegamos a casa eles brincaram por um tempo e caíram no sono. Já passava das dez da noite e nada de vir buscar a menina e como eu levanto cedo não iria ficar acordada esperando, qualquer coisa ela chama, ou grita, já que isso agora eu já sei que ela faz muito bem. A minha sorte é o berço extra que tem no quarto do Gustavo que eu tenho para quando preciso ficar com alguma criança nos finais de semana fazendo trabalho extra.


Acordei antes da hora com o choro da Rebecca – pra que eu preciso dormir tanto, não é? Pra que eu preciso descansar? Mas eu fui atrás e a responsabilidade era minha pelo menos essa manhã.

Olhei no relógio e nem eram sete horas. Fiz a mamadeira dos dois e coloquei o café para fazer quando escutei alguém bater na porta da cozinha.
- Estella? – Perguntei abrindo a porta. – Deveria ter vindo pegar a menina.
- Ela foi embora – Respondeu o homem com aparência triste que tinha ainda uma lágrima que insistia em escorrer dos seus olhos. – Desculpe por isso – Disse limpando o rosto com a manga da camisa.
- Por favor, entre. A Rebecca está logo ali brincando com o Gustavo – Disse saindo de frente a porta para que ele passasse. 



- Não quer beber um café primeiro? – Acredito que ele nem tenha dormido ainda pela aparência. – E por falar em aparência... Alguém notou que eu atendi o homem com roupa de dormir?!
- Eu aceito – Ele disse pegando a caneca de café da minha mão.
- Ah me desculpe pela roupa vou trocar e já volto. – Disse constrangida enquanto praticamente corria para o quarto.
Quando voltei ele estava de longe observando as crianças brincar no quarto do Gustavo – porque quando estão assim tão tristes da uma vontade danada de consolar?