- Vai ser demitida se chegar atrasada novamente! – Uma voz esbravejava do outro lado da linha.
- Não vou me atrasar, eu já estou a caminho – Ela disse calmamente como se estivesse tudo sob controle. Calçou os sapatos correndo e saiu em disparada. – Assim que chegou ela logo se dirigiu ao bar
Ser mixóloga nos finais de semana não é o que Julia mais gosta de fazer ainda mais naquele lugar sujo e cheio de gente estranha que costumam se reunir aos grupos sempre parecendo estar tramando algo, mas é o que a ajuda a pagar as contas no final do mês principalmente o aluguel.
Quando ela estava na saída avistou o rapaz acenando.
- Perdido Henry? - Ela perguntou para o rapaz sorridente.
- Na verdade só te esperando para te levar pro seu trabalho
- Não precisa atravessar a cidade só por isso. Meu próximo trabalho é logo ali contornando a praça. Agradeço, mas não é necessário.
- Olha saindo do SPA eu tenho um tempo antes de ir para meu próximo trabalho na Toca do Toninho então podemos conversar melhor. Combinado?
- Claro! Tenho que resolver algumas coisas por aqui. Volto depois pra te pegar.
- Então me deixa correr porque esta em cima da hora. – Ela só não sabia se ele iria gostar do assunto que ela pretendia ter.
-Olha Henry eu sei que rolou uma coisa entre nós, mas não quero que pense que sou sua namorada ou coisa do tipo. - Você é rico e esta prestes a se formar e eu tenho que me desdobrar em muitos empregos para pagar um aluguel e sobreviver. - Não vai dar certo, desculpe.
- Falando assim parece que vim te pedir em casamento não imaginei que te incomodaria tanto, desculpe. Isso não vai se repetir. – Ele virou-se e começou a andar
- Ei me espera! E minha carona? – Ela disse enquanto ele se afastava.
É que eu me lembrei que tenho mais uma coisa pra fazer por aqui e não vai dar. Vou aproveitar que estou aqui e vou me inscrever no curso de bateria. – E ele aproveitou o sinal aberto para os pedestres e atravessou a rua enquanto falava. – Melhor se apressar se não quiser chegar atrasada no seu serviço. Aposto que ali é mais um lugar que não suporta atraso.
- Ta falando sério?! Vai fazer isso comigo? Vou me atrasar por sua causa garoto! - Enquanto ela terminava de esbravejar ele já estava longe e ela falava sozinha no meio da calçada.
Atrasada ela não chegou, mas mal se agüentava em pé de tanto que teve de correr da estação do metrô até o bar.
- Aquele filho de uma mãe vai ver só! Ela reclamava enquanto começava a arrumar as coisas no balcão para mais uma noite de serviço.















