sábado, 28 de janeiro de 2012

O fora

 Após chegar em casa cansada Júlia se jogou na cama e dormiu por várias horas seguidas até ser acordada com o toque insistente do celular. – Ela saltou da cama com o susto para atender.
- Vai ser demitida se chegar atrasada novamente! – Uma voz esbravejava do outro lado da linha.
- Não vou me atrasar, eu já estou a caminho – Ela disse calmamente como se estivesse tudo sob controle. Calçou os sapatos correndo e saiu em disparada. – Assim que chegou ela logo se dirigiu ao bar
Ser mixóloga nos finais de semana não é o que Julia mais gosta de fazer ainda mais naquele lugar sujo e cheio de gente estranha que costumam se reunir aos grupos sempre parecendo estar tramando algo, mas é o que a ajuda a pagar as contas no final do mês principalmente o aluguel. 



 Depois de chegar em casa quase amanhecendo era hora de dormir. Seria menos difícil chegar se ela lembrasse de deixar alguma luz acesa para facilitar o acesso até o quarto. A única coisa mais confortável ali é a cama já que tem pouco tempo para seu merecido descanso. – Quando acordou no inicio da tarde já estava pronta para sua próxima tarefa.
Quando ela estava na saída avistou o rapaz acenando.
- Perdido Henry? - Ela perguntou para o rapaz sorridente.
- Na verdade só te esperando para te levar pro seu trabalho
- Não precisa atravessar a cidade só por isso. Meu próximo trabalho é logo ali contornando a praça. Agradeço, mas não é necessário.


 Quando ela viu a expressão em seu rosto achou que estava na hora de esclarecer algumas coisas para ele, mas não naquele momento já que mais uma vez estava quase atrasada.
- Olha saindo do SPA eu tenho um tempo antes de ir para meu próximo trabalho na Toca do Toninho então podemos conversar melhor. Combinado?
- Claro! Tenho que resolver algumas coisas por aqui. Volto depois pra te pegar.
- Então me deixa correr porque esta em cima da hora. – Ela só não sabia se ele iria gostar do assunto que ela pretendia ter.



 Ela escolheu a praça ali em frente mesmo e antes que ele achasse que se tratava de um encontro ela começou a falar. Pretendia ser rápida e objetiva.
-Olha Henry eu sei que rolou uma coisa entre nós, mas não quero que pense que sou sua namorada ou coisa do tipo. - Você é rico e esta prestes a se formar e eu tenho que me desdobrar em muitos empregos para pagar um aluguel e sobreviver. - Não vai dar certo, desculpe.
- Falando assim parece que vim te pedir em casamento não imaginei que te incomodaria tanto, desculpe. Isso não vai se repetir. – Ele virou-se e começou a andar
- Ei me espera! E minha carona? – Ela disse enquanto ele se afastava.




É que eu me lembrei que tenho mais uma coisa pra fazer por aqui e não vai dar. Vou aproveitar que estou aqui e vou me inscrever no curso de bateria. – E ele aproveitou o sinal aberto para os pedestres e atravessou a rua  enquanto falava. – Melhor se apressar se não quiser chegar atrasada no seu serviço. Aposto que ali é mais um lugar que não suporta atraso.
- Ta falando sério?! Vai fazer isso comigo? Vou me atrasar por sua causa garoto!  - Enquanto ela terminava de esbravejar ele já estava longe e ela falava sozinha no meio da calçada.
Atrasada ela não chegou, mas mal se agüentava em pé de tanto que teve de correr da estação do metrô até o bar.
- Aquele filho de uma mãe vai ver só! Ela reclamava enquanto  começava a arrumar as coisas no balcão para mais uma noite de serviço.


sábado, 21 de janeiro de 2012

Sim ou não? - Parte II


Quando ele voltou mais tarde ela estava refazendo o trabalho perdido.
- Eu tenho que terminar isso, já disse que não tenho tempo pra você. – Falou sem ao menos tirar os olhos da tela.
- Se quiser pode ser rápido, mas acho que não vai ter graça.
- Não vou largar aqui de forma alguma até terminar. – Espera se quiser e ai eu penso no seu caso. – Ela disse na intenção dele sair do quarto.
- Eu espero sem problema. E ali ele permaneceu lendo um livro na cama.


- Pronto! – Ela disse ao se levantar após digitar o último ponto final.
- Finalmente! E agora que tal vir aqui um pouquinho descansar?
- Não mandei ficar e melhor ir pro outro quarto. – Preciso só de um banho e dormir um pouco.
- As toalhas ficam na terceira gaveta da cômoda ou se quiser pode ir tomando banho enquanto eu pego pra você.
- Não vai desistir mesmo bebê? – Ela disse se acomodando em seus braços quando se jogou na cama.
- Depois de esperar tanto é impossível – Ele disse a puxando pra mais perto de si enquanto seus lábios se uniam.


 Júlia levou um susto quando se deu conta que não estava no seu quarto e muito menos na sua cama.
- Caramba! Olha a hora. – E a dona Vilma o que vai pensar quando notar que eu e o Henry passamos a noite... Juntos? – Foi quando ela percebeu que ele não estava ao seu lado.
Ela correu para o banheiro tomar um banho rápido e se vestir enquanto pensava em uma desculpa para dona Vilma. –Ela vai me achar uma folgada. - Ela falou para si mesma.
Desceu a escada com a preocupação em não tropeçar em suas próprias pernas e se dirigiu a copa e eles estavam se servindo.


- Todos perdemos a hora pelo visto. Dormiu bem querida? – E você Henry? Notei ao me levantar que a cama estava arrumada... Teve problemas com o colchão? – Dona Vilma parecia desconfiada de algo.
- Vovó não deveria entrar no quarto sabe que eu durmo a vontade... Eu já havia levantado e arrumado a cama. Eu estava no banho. – Ele disse constrangido.
- Não iria ver nada que eu já não tenha visto antes querido. – Ela disse soltando uma leve risada.
Júlia continuava com o rosto virado fingindo não estar prestando atenção no assunto pensando seriamente se deveria ou não arrumar uma desculpa qualquer para levantar-se e ir embora. Mas o educado a se fazer era ficar então limitou-se apenas em dizer
- Dormi sim dona Vilma, obrigada.


- Vó! A Julia esta aqui esqueceu?  E ela achou hilário ver a reação exagerada do Henry e não pode deixar de tirar um sarro e disse bem baixinho para que dona Vilma não a ouvisse
- Bebezinho da vovó... – E riu.
Foi divertido passar um tempo a mais, ela sempre gostava, mas era hora de voltar a sua vida corrida de sempre.
- Obrigada pela hospedagem dona Vilma e me desculpe ter demorado em terminar. Volto semana que vem.
- Não tem problema querida e eu prometo não te segurar até tarde como ontem. – E isso era a única coisa que realmente a havia incomodado na verdade.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Sim ou não? - Parte I


Já passava das onze da noite quando dona Vilma percebeu que estava abusando da boa vontade da jovem Julia.
- Desculpe minha filha, não percebi que já era tão tarde. O tempo passa rápido quando você está aqui me ajudando a organizar essas minhas coisas de velha. Isso que dá modernizarem tanto as coisas e eu querer seguir o ritmo de vocês jovens. Melhor você ir agora. – Por mais cansativo que era para ela ter mais esse serviço ainda assim gostava da companhia da dona Vilma. Ali ela sentia o ambiente família que lhe fazia bem.
- Não se preocupe dona Vilma, amanhã finalmente é meu dia de folga mesmo.
- Vovó já é quase meia noite. É perigoso para ela sair a essa hora sozinha. Não seria melhor se pedisse pra Aline arrumar o quarto de hospede e ela dormisse aqui? – Sugeriu Henry, o neto da dona Vilma que estava com o rosto quase grudado em seu netbook, mas pelo visto prestando mais atenção na conversa do que no que estava fingindo fazer. 


- Se ela quiser ficar eu não vejo problema algum.  – Dona Vilma concordou.
- Não, de forma alguma. Eu não quero incomodar, pode deixar que eu pego um táxi mesmo. Só vou terminar isso aqui e... Ah eu não acredito! Volta, volta, volta!!! Por que quando se precisa que esse Ctrl+Z funcione ele não funciona? – Julia disse desesperada.
- Meia noite. – Henry disse olhando para o relógio do computador. Vai ser difícil um taxi há essa hora e sem contar que seu apartamento fica do outro lado da cidade.
- Ele tem razão minha filha. Eu te segurei aqui até agora faço questão. Não tem trabalho algum. Vou falar agora mesmo com a Aline preparar o quarto de hóspede. – Ela disse já se afastando.


- Se vai passar a noite em claro eu sugiro que ela fique no meu quarto vovó. Assim fica melhor pra ela usar o computador e ficar mais à-vontade. Eu fico no de hóspedes – Ele disse se colocando com rapidez ao seu lado.  
- Faça como acharem melhor meu filho... – Ela disse já subindo o último lance da escada.
- Não se preocupe com isso, vou passar boa parte da noite em claro mesmo. Foi o cúmulo da estupidez ter conseguido deletar as últimas duas horas de trabalho...  E eu posso esperar a Aline me mostrar, não se preocupe. – Ela disse com ar de falso pouco caso.
- Mas eu faço questão. Por aqui senhorita. – Ele disse enquanto mostrava o caminho com um sorriso enorme.



Henry mal esperou passar pela porta do quarto para agarrar Julia que não ofereceu resistência alguma.
- Para com isso Henry – Ela disse quase sem fôlego. – Melhor ir logo pro outro quarto. Se sua avó entrar por essa porta ela vai me colocar pra fora daqui sem se importar com a hora.
- Sabe que ela gosta de você, não iria se importar com nós dois.
- Não existe nós dois. – Existe eu e existe você.  – Aquele dia na boate eu não sei o que me deu na cabeça. Aconteceu, esta bem? E eu nem sabia quem você era. Não quero trair a confiança da dona Vilma ficando com o netinho dela.


- Você já ficou com o netinho dela e ele esta doido querendo mais. E eu sei que você também quer. – Ele disse enquanto a abraçava pelas costas e cheirava seu pescoço a fazendo arrepiar.
- Eu não sou uma babá. – Não tenho tempo para crianças, na verdade eu mal tenho tempo pra mim. Não se preocupe que logo passa sua fase de puberdade moleque.
- Só sou dois anos mais novo que você e isso não impede em nada. – Ele a puxou novamente ao seu encontro, mas dessa vez foram interrompidos por alguém batendo na porta.
- Quando a vovó for dormir eu volto tá? – Ele disse sussurrando e piscou rápido enquanto abria a porta. – Ah e o controle da TV fica dentro da primeira gaveta do criado mudo da direita. – Ele disse na maior tranqüilidade como se estivesse ido lá para mostrar onde as coisas ficavam.



segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Prólogo


Depois de um dia cansativo e uma noite agitada trabalhando no barzinho local Júlia chegou a sua casa e olhou no relógio seu maior companheiro nesses dias corridos – Ainda lhe restava quatro horas de descanso antes de ir para seu trabalho de meio período como recepcionista no SPA da cidade. Seria ótimo se esse não fosse um dos seus três empregos e ela continuava naquele sufoco miserável.
Acordou com o despertador gritando em seus ouvidos e saiu tropeçando pela bagunça espalhada pelo chão da sua minúscula casa em direção ao banheiro – Já estava na hora de começar um novo e repetitivo dia. De novo...