quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Então até qualquer dia...

Pensei que o Moisés não fosse aparecer ou ligar tão cedo, mas não foi o que aconteceu.
- Podemos conversar? – Ele foi direto assim que abri a porta.
- Sobre o que agora?
- Pra me pedir desculpas pelos maus tratos –e lá estava ele fazendo graça novamente – É que eu tenho uma noticia que não sei se é boa ou ruim pra você, mas como sua insensibilidade a flor da pele vai dar graças a Deus.



-Poderia pelo menos estacionar o carro direito, vai chamar atenção desse jeito.
- Como se eu me importasse... Cadê o moleque? Ganhei um brinde de um evento e trouxe pra ele, não tenho mais idade pra brincar de barquinho, espero que não se importe, eu só queria que ele se lembrasse do tio mais legal que a mamãe fez questão de colocar pra correr.
- Não importo com o brinquedo, mas juro que se sua namorada louca aparecer aqui com uma arma  eu mesmo te mato.
- Eeeex namora pra início de conversa e posso entrar ou vai me escorraçar novamente antes de ouvir o que eu tenho pra te falar.
- Entra vai e para de reclamar.
 
 
Ele entregou  brinquedo para o Gustavo que estava na sala que não perdeu tempo e foi brincar e o Moises sentou no sofá em seguida. Quando me aproximei ele me puxou para o seu colo.
- Ele demora a dormir?
- Com a novidade do brinquedo talvez um pouco mais que deveria. Então não tem uma coisa para me dizer? Pode ir falando. – o incentivei a começar a falar.
- Eu prefiro esperar ele dormir – e fixou os olhos na TV
 
 
Assim que percebi o Gustavo sonolento o coloquei no berço e voltei para a sala. Ele veio ao meu encontro e começou a me beijar.
- Então era essa a noticia?
- Eu me esqueci da noticia assim que passou pela porta e ficamos sozinhos, eu comecei a ser controlado pelo desejo por você.
- Você é um sem vergonha. – Não deixou nem que eu terminasse de falar e já estava me conduzindo para a cama. – Eu até poderia botar ele pra fora, mas ele estava tão cheiroso... E eu não sou de ferro, aqueles beijos atiçaram meu desejo.
 
No dia seguinte acordamos juntos e ele veio dar tchau.
- Eu adorei ter uma última noite com você aqui em Star Shores. Pode comemorar por livrar-se de mim.
- Era isso que tinha pra me dizer seu cafajeste? Pra onde você vai? Oferece uma amizade e vai embora? - falei com uma voz de chateada para provoca-lo
- Sabia que gostava de mim, já está sentindo saudade. Arrumei um trabalho em outra cidade e vou ganhar muito melhor. Pode ir me visitar quando for passear em Bridgeport. Vou adorar receber uma amiga gostosa  na minha casa – Eu já não prestava atenção nele, escutar o nome dessa cidade me fez gelar.

 
- Eu "talvez" sinta saudades, mas não vou voltar praquela cidade.
- Nem pra visitar um amigo? poxa vida...
- Sinto muito, mas se quiser pode me visitar quando vier passear aqui, ou mandar o convite do casamento com a doida, caso voltem.
- Ha - há - há... Muito engraçado da sua parte. Eu tenho que terminar de arrumar minhas coisas Lia, eu ligo quando sentir saudade, tá?
- Sempre que quiser e boa sorte – Era o máximo que eu poderia fazer por ele, desejar sorte e que ele seja feliz naquela cidade.
Escutei vozes na sala quando estava começando a me arrumar para começar o expediente.
- Ei Lia, tem gente aqui na porta querendo falar com você. – Terminei de vestir minha roupa correndo. Quem seria?
- Quando cheguei na porta o Martin estava parado observando discretamente o Moisés passar por ele. – Onde estava a Estella?
- Senhor Martin – Disse sem graça – Em que posso ajuda-lo?
É que eu... Bem eu queria saber se poderia ficar com a Rebecca hoje um pouco mais cedo e se posso vir busca-la um pouco mais tarde. Se não for incomodar, é claro.
Ele estava visivelmente estranho e antes de me entregar a filha começou a desculpar-se.
- Eu deveria ter avisado ontem, me desculpe mesmo, prometo que não vai repetir. – Pra que tantas desculpas afinal? Estava sem entender. Ou estava. Tudo isso por causa do Moisés? – Enfim ele passou a filha para mim.
- Fique a vontade, traga mais cedo quando precisar. – Entrei pensativa, mas uma frase que a Rebecca disse quando entramos me deixou triste pela pequena.
- Minha mamãe foi "emboa" tia Lia.
- Embora? Ela foi embora meu amor? - Ela apenas acenou positivamente enquanto escondia seu rosto contra meu corpo.


quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Falando francamente

Durante a semana ele ligou novamente, mas dessa vez queria um encontro de verdade e pediu para que escolhesse o lugar e só tinha um que eu conhecia de fato.

Eu escolhi o que mais me lembrava da vida noturna de Bridgeport.  – Salão Banzai.
Subimos e fomos ao lugar mais escondido do local onde pudéssemos ficar mais a vontade e onde tinha uma música suave tocando. Dançamos coladinho um bom tempo trocando carinhos e inúmeros beijos cada vez mais quentes. – Estava tudo perfeito até me dar conta que já era quase uma da manhã e eu estava prestes a virar abóbora. A babá não ficaria mais do que essa hora.  
- Eu preciso ir
- Eu te levo – sussurrou enquanto deslizava seus lábios no meu pescoço – fiquei arrepiada.



Cheguei cinco minutos atrasada e a babá já esperava na porta.
- Tudo tranquilo com ele dona Lia, agora tenho mesmo que ir. – Ela nem esperou pelo tchau e foi embora.
- Eu ganho pelo menos um beijo de boa noite? Ele pediu com uma carinha tão linda... A noite tinha sido tão boa, quem sabe hoje seria melhor? – Puxei ele pela mão para que me acompanhasse e pedi para que esperasse – e mesmo a babá dizendo que estava tudo tranquilo eu tinha que conferir. Abri um pouco a porta do quarto só pra conferir que ele estava mesmo dormindo.



Quando voltei passei para o meu quarto e ele foi atrás e sentou na cama.
- Lia – ele chamou e ficou quieto por um tempo.
- Sentei do outro lado e esperei a continuação que não veio – Fiquei tensa já que a probabilidade em me envolver com quem não deve é muito grande.
- Ah meu Deus! Você é casado? – Soltei sem querer depois dessa conclusão.
- Não, não que eu me lembre – e riu – melhor, pensei aliviada. - Só queria saber se vou ser convidado a passar a noite com você novamente – e puxou-me para um beijo, mas sabe quando parece meeeesmo que a pessoa quer falar alguma coisa e está escondendo? Ah, quer saber? Vou pensar nisso amanhã. 



Essa noite eu não fiquei tão tensa e as coisas foram bem melhores, mas ainda fiquei cismada com o que ele tem pra me dizer.  Já estava quase amanhecendo quando acordei com ele abraçado a mim.
- Ei, acorda! – Disse empurrando ele com meu cotovelo – Você tem que ir, não pode ficar aqui na hora que as mães trouxerem as crianças.
- Não vai me perguntar se quero um café – e começou a fazer carinho na minha nuca com seu nariz.
- Primeiro precisamos ter uma conversa – Não enrolei e fui direta eu tinha certeza que ele estava me escondendo algo ou queria me dizer alguma coisa e eu também tinha uma coisa a esclarecer.
Acomodamos-nos ali mesmo em cima da cama





- Sobre o que? Você é casada? – Fez uma cara fingindo estar assustado me imitando a noite anterior. – eu ri.
- Não eu não sou e não está em meus planos. Não quero namorar e nem ter nada sério com ninguém, nunca quis.  Sua vez agora – Apontei o dedo pra ele.
- Uau! Quase me chocou. – disse fazendo graça – Bem eu sou solteiro, só falta minha “ex-namorida” cair na real. Ela é neurótica e vive atrás de mim querendo me bater. –Levantei da cama segurando a vontade de rir só de imaginar uma cena dessas.
- Então é isso, foi um prazer te conhecer, tchau. 




- Eu disse ex, escutou?
- Eu disse que não quero nada sério muito menos um maluco atrás de mim e ainda com sua ex querendo me bater. – Quando eu pensei que ele ira desistir e ir embora ele argumentou.
- Não vou ganhar um café da manhã pelo menos? E um irmão mais velho? Não tem vaga pra um?  E um melhor amigo?
- Você é algum tipo de louco?
- Um desesperado pra sair de vez em quando de uma casa lotada de homens com uma casa fedida a chulé e cachorro molhado, pra falar a verdade.
- Amanheceu engraçadinho hoje... Passou da hora, se arruma e vai, vou cuidar do Gustavo.



- Viu só?  Você nem conheceu meu lado brincalhão direito. Podia me dar mais uma chance, ou duas... Se mudar de ideia ou precisar de um amante você me chama? Prometo vir a pé e varrendo meus rastros para ela não me seguir.
- Conheci seu lado brincalhão e romântico, tenho medo de conhecer seu lado mentiroso. Agora xô, vai embora seu louco, as crianças vão chegar e eu preciso arrumar as coisas.  – Agora já não sabia se deveria me encontrar com ele novamente.  Talvez ele pudesse ser um bom amigo, nada mais do que isso.
Depois de tudo arrumado estava pronta para outro dia de trabalho.