terça-feira, 27 de março de 2012

Esperando por respostas

Quando chegaram na casa da Julia ele ficou narrando por um tempo sobre tudo que presenciou.
- "Quando eu cheguei na minha casa sem saber de nada os bombeiros já tinham sido acionados pelos vizinhos, mas não haviam chegado ainda. Tentei entrar, mas as chamas há havia tomado conta de praticamente tudo e estavam altas demais. O máximo que eu consegui foi me machucar no rosto um pouco mais. E sabe o pior de tudo? – É esperar eles encontrarem os restos da vovó pra dar a ela um enterro digno. O delegado disse que vão fazer de tudo para resolver isso o mais rápido possível"
- Você tem que descansar um pouco Henry e eu também. Vou me trocar estou caindo de sono.
- Estou cansado e com sono, mas não sei se vou conseguir dormir. 

- Olha como você sabe só tem uma cama aqui, então vamos ter que dormir juntos, quer dizer... Na mesma cama... Então vamos logo porque você tem bastantes coisas pra resolver amanhã – Ela disse voltando para encontra-lo já vestida para dormir.
- Desculpa, mas tenho que dormir assim só de roupa de baixo, mas se te incomoda posso dormir no sofá, não tem problema para mim.
- De jeito nenhum! Fala sério Henry, já dormimos juntos antes e ninguém aqui esta com cabeça pra pensar em outra coisa a não ser dormir. Amanhã podemos dar um jeito nisso.
 Naquela noite ninguém dormiu bem. Ele estava inquieto pela situação e ela acordava toda vez que fazia qualquer movimento na cama.
- Shiiii... Calma ai bebê – Ela disse fazendo carinho no seu cabelo e o abraçou tentando fazer ele se acalmar assim teriam o restinho da noite mais tranquilos. – Por mais que ela soubesse que o certo era manter certa distancia ela precisava conforta-lo naquela situação.


Pelo menos ela dormiu já que quando acordou ele não estava mais ao seu lado e nem em lugar algum da casa.
- Atrasada de novo. Que maravilha Julia! Vai perder quinze minutos do horário da academia hoje sua preguiçosa – Ela se arrumou correndo e ia saindo porta afora e quase trombou no Henry.
- Atrasada?
- Arrãm, mas agora to indo pra academia e de lá direto pro SPA – respondeu enquanto saia depois de comer uma coisa qualquer que achou pela geladeira – Onde você estava?
- Comprar roupas como deu pra notar, delegacia e depois mercado. Não tem nada decente pra comer aqui, você sabia? Era tanta coisa que pedi pra fazer entrega.
- Sei lá, eu mal tenho tempo para comer em casa. Depois conversamos direito. E tire uma cópia da chave pra você quando sair de novo tá? Só tem essa.



Foi estranho ela encontrar alguém no seu sofá quando chegou.
- E ai? Como foi seu dia? Novidades sobre o incêndio? – Ela sentou se acomodando ao seu lado.
- Hoje não fui pra faculdade e me deram dois dias no hospital para eu resolver o que for preciso. Agora estou aqui esperando alguma noticia enquanto eles procuram pela vovó.
- Ah Henry, deve ser tão terrível tudo isso. Vem aqui – Ela percebeu que não foi boa ideia assim que olhou em seus olhos e aquele magnetismo parece que a puxou para mais perto dele, e mais perto... Foi quando ele retirou sua mão que estava sobre seu ombro e levantou-se. - Vou tomar um banho, não aguento essa expectativa. – Ele se dirigiu ao banheiro sem olhar pra trás
Ela escorregou pelo sofá colocando a mão sobre o rosto – “O que você pensa que esta fazendo sua idiota?” 


Depois que ele saiu ela foi tomar um banho e quando entrou no quarto o escutou conversando no telefone.
- O senhor tem certeza disso? Mas então...  – Houve um tempo em silencio e então ele continuou.
- Eu entendo nos vemos amanhã pela manhã então – Obrigada pelas noticias.
- Desculpe, mas eu acabei ouvindo um pouco... Encontraram a dona Vilma?
O rosto dele ficou com uma feição indecifrável metade tristeza e metade de esperança.
- Não, eles não a encontraram.
- Mas então...
- Mas então o delegado disse que continua na mesma. Sem corpo indica que ela pode não estar morta, mas se ela não morreu então onde ela está? Ela não entrou em contato e também não apareceu... Onde minha avó esta July? 

sábado, 17 de março de 2012

O incêndio


Julia foi bem no teste. Nem uma garrafa no chão ou caindo na cabeça de ninguém que era seu maior medo. Ficaram de entrar em contato em dois dias no máximo.
Ainda era cedo quando voltou para casa, ligou a TV e ficou zapeando pelos canais sem nada ao certo para ver quando uma noticia chamou sua atenção.
- “Não sabemos se existe vitimas fatais no incêndio que começou por volta das dezoito horas aqui na zona nobre da cidade”.  – E a repórter continuou em seguida – “Pelo que nos foi informado até agora pelo que parece apenas uma senhora de mais de setenta anos se encontrava no imóvel”.
Não demorou muito pra ela reconhecer a casa.
- Dona Vilma... Henry... Era isso que ele queria me dizer?


 Foi só o tempo de ela trocar de roupa e logo estava na rua para pegar um táxi. Difícil foi achar um, já que esta cada dia mais difícil achar um naquela cidade então demorou um pouco mais que o previsto para chegar até lá. Não tinha mais jornalistas ou curiosos, pelo contrário, de longe parecia que não havia mais ninguém. – A casa por fora parecia intacta.
Ela foi se aproximando devagar e de repente ficou com a impressão que não estava sozinha.
- Henry? É você que está ai?  Sou eu, a Julia – Ela disse baixinho e ficou esperando, mas nenhuma resposta foi dada.
Como não se contentou empurrou o portão e ele estava apenas encostado. Não demorou muito até avistar o Henry sentado nos degraus que levam a entrada da casa.


 Ela se aproximou e ele continuou imóvel como se não notasse sua presença
- Henry?
-...
- Ei? Você esta me ouvindo? Esta bem? Precisa de alguma coisa?
Nem uma resposta ou movimento e ele continuou ali imóvel olhando pro nada – Ela foi se aproximando aos poucos e seus olhos continuavam sem mudar de direção.
- Henry! Fala comigo
Foi quando finalmente ele levantou-se e foi em direção a Julia.


- Eu perdi a ultima pessoa que eu tinha na minha vida Julia! O que eu vou fazer agora? Não sabem nem me informar onde começou. Interditaram e não posso nem entrar para pegar as coisas que me restaram – se é que resta alguma coisa – falaram que o fogo abalou as estruturas e tudo pode ir abaixo. Tenho que esperar. – Ele não esperava respostas era apenas desabafo.
- Sinto muito Henry...                                                  
- Hoje vim tão contente avisá-la que finalmente me aceitam no hospital como estagiário e ela não esta aqui para receber a noticia. – Ele fez uma longa pausa para soltar um suspiro


- É tão estranho dizer isso, mas eu tenho que ir July e é bom você ir também. Nem sei que horas são agora, mas deve estar tarde.
- Vai ficar na casa de... Alguém? – Ela vacilou ao perguntar e ele fingiu não entender ao responder.
- Vou procurar um hotel ou uma pousada. Sei lá... Vou dar uma volta por ai e procurar alguma coisa
- É... Bem... Você pode ficar lá em casa se quiser e não se importar com a bagunça... Até você arrumar um lugar melhor pra ficar.
- Tem certeza? Não quero incomodar
- Se não tivesse certeza não te convidaria bebê, pode ter certeza.
- Estou tão cansado em todos os sentidos possíveis que nem tem como recusar. Eu aceito seu convite. Obrigado Julia.

sábado, 10 de março de 2012

E esses dias que não passam...

Segunda feira foi um dia normal e mais tranquilo, aproveitou um pouco à calma e até deu tempo de fazer uma massagem relaxante que ela tanto estava precisando (por conta da casa é claro). Quando chegou em casa já que não tinha mais nada para fazer foi testar novas misturas e praticar as acrobacias para ter a certeza que dessa vez não iria deixar nenhuma garrafa cair no chão ou na cabeça de alguém.
Depois tentou organizar alguma coisa pela casa como, por exemplo, o monte de roupa suja que o Henry reclamou dias atrás, mas ficar limpando não era mesmo seu forte então não demorou muito para ela desistir.



Na terça depois de outro dia calmo do SPA e assim que terminou o expediente ela passou direto para a casa da dona Vilma.
- Minha querida me desculpe. Era pra ter te ligado antes pra te avisar que não precisava vir hoje. Tenho coisas importantes para fazer e acabei esquecendo. Fique a vontade para ir.
- Não precisa mesmo? Posso ajudar em outra coisa se quiser. 
- Não, não... São coisas que só eu mesma posso fazer, obrigada. Estou sozinha e até o Henry saiu. Acho que ele foi tentar falar novamente com a Monique – E fez uma cara de insatisfação.
- "É mesmo um pateta" – Julia pensou.
- Então boa noite dona Vilma. – Como não havia nada a ser feito ela poderia sair pra aproveitar a noite, mas tudo que ela precisava mesmo era de uma noite decente de sono.


 Na quarta ela estava no endereço combinado e assim que chegou começou a notar diferenças daquele lugar com o pulgueiro da Toca do Toninho.
- Eu sou a Julia, tenho uma entrevista de emprego... Ou melhor, um teste. – Ela disse ao loiro que estava na entrada.
- Entra ai, o senhor Breno ligou e disse que houve um imprevisto, mas já esta a caminho. Vou te mostrando o bar. – Ela foi dar uma checada e ele sentou-se do outro lado do bar. 
- Acho que vou pedir a transferência definitiva pra cá se você for contratada – Disse isso seguido de um sorriso.
Antes que ele pudesse dar continuidade nas gracinhas o Breno chegou.
- Peço desculpas pelo atraso e infelizmente meu sócio não pode vir. Vamos usar o bar lá de dentro onde a Dayse que é a outra mixóloga está. Ela que vai me ajudar na avaliação. Ela entende mais disso do que eu e quero ser justo da minha decisão.


 Assim que entrou ficou desejando de todo coração que desse certo e que ela saísse daquele lugar detestável que ela trabalhava.
- Antes peço desculpas pelo Dwight ele é todo cheio de gracinhas, mas é uma boa pessoa. Ele sabe que não acho boa ideia essa coisa de relacionamentos entre funcionários. 
- Tudo bem, eu não me importei – Ela disse sorrindo.
- E essa aqui é a Dayse – Disse se direcionando para a peituda por de trás do bar.
- Boa sorte Julia. Estou precisando de uma colega para dividir as responsabilidades e servir as pessoas com um pouco mais de tranquilidade. – “vem cada gatinho aqui, você nem imagina” – E riu.
- Dayse! – a reprovação veio sutilmente no tom de voz do Breno, mas continuou com a expressão simpática.  
- Assim vai assustar a moça logo de cara chefe. Foi só uma brincadeira.
- Eu sei e só não quero que ela tenha má impressão sobre nós. Agora vem logo e deixa de conversa fiada.


Eles estavam indo se posicionar no bar para começar a fazer seus pedidos quando o telefone da Julia tocou.  Ela olhou no visor rapidamente – “Henry” – Antes que ele ficasse ligando insistentemente ela achou melhor ir atender rapidamente.
- Só um momentinho, por favor – Pediu sem graça
- Claro. Nós vamos nos acomodar enquanto isso. 
- Olha Henry agora não da pra ficar de conversinha eu estou ocupada – Disse baixinho
- Mas Julia é que acon... – Ela não terminou de ouvir e desligou o telefone antes que se irritassem e a dispensassem dali mesmo.
Ela voltou para o bar às pressas com um sorriso imenso e toda animada.
- Estou pronta! O que vão querer para começar? 

quinta-feira, 1 de março de 2012

Proposta de trabalho


Finalmente veio o domingo e ela desejava muito que fosse uma noite sossegada. – Nada de tranquilidade Julia – Ela pensou ao ver as pessoas começando há chegar pouco tempo depois de aberto – O bar foi ficando cheio e a noite prometia ser longa e cansativa, mas pelo menos algo estava melhor – Hoje havia alguns colírios para sua visão.  O barzinho podia estar mais cheio como de costume, mas pelo menos estava com pessoas um pouco menos estranhas e uns caras até bonitinhos (tirando os modelitos) que ficaram por um tempo cercando o bar.


 Estava bem até que confundiram seu trabalho de mixóloga com o de garçonete. 
- Obrigada lindinha, esse outro é do cabeça ali – E mostrou a quem se referia apenas olhando para o magrelo que estava perto do bar a pouco tempo atrás.
Ela nem ficou parada por mais tempo e foi logo entregar a bebida e voltar ao seu posto.
- Povo folgado – Ela saiu devagar resmungando depois que o magrelo pegou a bebida e a deixou de lado para atender ao celular.


- Tá tudo certo Beto. O churrasco é daqui três dias – O magrelo disse se aproximando mais do outro. – O chefe acabou de avisar.  – Disse em tom de sarcasmo.
- Churrasco de carne velha – O outro disse e em seguida riram juntos. – Julia não gostou do tom de voz que eles usavam.  Parecia algum tipo de conversa com duplo significado.
Claro que naquele lugar havia muitas pessoas que se reuniam para tramar algo. Ela mesma já havia visto alguns rostos que frequentaram aquele local sem darem mal enquanto folheava a coluna policial nas raras horas vagas.


 Foi retirada do seu transe quando o moreno veio lhe falar.
-O que vai querer? – Ela perguntou enquanto parava para observá-lo melhor.
- Quero uma Doce travessura e uma Mixóloga, por favor. – Ele disse rindo
- Como é? – Ela perguntou confusa com o que tinha acabado de ouvir.
- Primeiro eu preciso de uma Doce Travessura, sabe fazer não é? – Ele fez uma cara de dúvida
- Claro – Ela fazia já incomodada com o olhar atento daquele homem a cada movimento seu.
- Pronto senhor – Colocou a bebida sobre o balcão e voltou ao seu lugar
- Perfeito! – Ele disse depois de tomar sua bebida aos poucos e em suaves goles.  – Agora só me falta a mixóloga.  – E lançou novamente um olhar para Julia.


 Ela voltou a sua atenção a ele no mesmo instante.
- Quer ser mais claro, por favor?
- Desculpe. Deixe-me apresentar. – Meu nome é Breno e eu e meu amigo entramos em uma sociedade de um barzinho e estamos a procura de um ou um mixólogp. Há dias que estamos perambulando de bar em bar pela cidade á procura de alguém. Está interessada? – Temos mais dois candidatos até agora e se te interessar marcamos um dia ainda essa semana e você vai lá fazer um teste e uma entrevista rápida e decidimos até final dessa semana. Caso seja a escolhida nós negociamos seu salário e te contratamos.
- Só tenho tempo na quarta, pode ser?
- Claro, anota ai: Avenida 17, nº 8.067 – Te espero lá ás 18:00 – Ele acabou de dizer e saiu a deixando-a cheia de esperanças de finalmente parar de trabalhar naquele lugar horroroso.