domingo, 19 de fevereiro de 2012

Trabalho extra


Sexta feira é o dia mais cansativo. - Sair do SPA sem mal dar tempo para o lanche e correr para o barzinho mais mal freqüentado da cidade e servir de novo a noite toda bebidas para aqueles sujeitos estranhos e mal encarados.
Quando foi assumir seu posto no bar ela notou o rosto conhecido.
- Identidade, por favor. É proibida a venda de bebidas para menores de 18. – Ela começou puxando brincadeira – Quando ele levantou o rosto para encarar ela notou um pequeno machucado em seu rosto


 - Agora se mete em brigas também? Virou delinqüente bebê? – Por isso esta freqüentando esse lugar?
- Não briguei com ninguém, esta bem? Me da à bebida e me deixe em paz. – Ela assim fez mesmo contrariada, mas como já havia dito não era babá e aquilo não era da sua conta.
- OK prefere “O Grande Erro”, “Cabeça de Lhama” ou “Joelhada”?
- Acho que tenho Cabeça de Lhama cometi um “Grande Erro” e merecia uma “Joelhada” no lugar do machucado, então manda os três... – E ele continuou ali apenas bebendo sem falar mais uma única palavra a não ser pedir bebida atrás de bebida. – Muito tempo depois já na hora de fechar ele não parecia com vontade de sair dali e nem com condições de voltar para casa sozinho e ainda mais dirigindo.
- Vamos pra casa bebê – Ela disse já o empurrando porta afora.
- Não quero ir pra casa – Ele resmungou
- Não posso te levar pra sua casa gracinha ir e voltar ocuparia muito tempo e amanhã acordo cedo. Cada minuto de sono é precioso pra mim – Vamos pra minha casa.


 Deveria ser um louco mesmo por ir com um carro daquele em um lugar tão estranho.
- Ta com cara de enjôo então se você for vomitar faz o favor de virar o rosto pro outro lado – Ela disse assim que assumiu a direção. 
- Não vai contar como conseguiu esse ferimento ai no rosto? Caiu porque anda bebendo mais que deveria?  
- Eu não briguei ou cai, está bem? – Ele disse depois fez uma careta – Ela que brigou comigo.  Na verdade nem foi uma briga, foi só um abajur que a Monique jogou em mim na terça – Esse foi o dia que estive lá e eles pareciam estar tão animadinhos – Ela pensou.
Economizou um tempo precioso para ela ter voltado de carro.  – Logo que chegou Julia deu a ele um café bem forte e o levou para o quarto.


 - E por que ela te jogou o abajur mesmo? – Ela insistiu no assunto enquanto arrumava o travesseiro, mas ele já estava dormindo o que não a impediu de perguntar novamente e iria jogá-lo da cama se fosse preciso para obter a resposta.
- É que... Bem, eu... Eu cometi digamos “um grande erro” com ela quando estávamos a sós e ela ficou fula... – Ele disse virando a cabeça um pouco para responder. As últimas palavras saíram tão baixas que mal deu pra se ouvir – Que grande erro teria sido?
Julia é curiosa, mas o cansaço sempre a vence no final. Ela acomodou-se ao seu lado na cama – Acordou no dia seguinte tão bem descansada e confortável quando se deu conta que tinha um braço a envolvendo.


Levantou-se devagar e foi fazer um café e voltou para acordá-lo.  
Ele passou pelo quarto olhando para um lado e outro aquela bagunça e não se conteve
- Como consegue encontrar alguma coisa no meio de tanta bagunça? Deve ter algum bicho morando aqui junto com você.

- Por quê? Você viu o Mark por ai?!  Sabe ele sempre aparece e é quase meu rato de estimação então achei que estava na hora de dar um nome.
- Mark?! Está falando sério?
- Claro, eu o chamo assim porque eu li uma história que tinha um personagem com esse nome. Não que o personagem fosse feio, pelo contrário, mas já que não tenho um de verdade... Ele costuma ficar naquele monte de roupa suja bem ali... – Ela disse com ironia. -Não enche tá? Ao contrario de certas pessoas eu não tenho tempo, nem empregada e eu entendo muito bem a minha bagunça organizada.
Seu telefone tocou novamente e ele se despediu com pressa - Obrigada por tudo e desculpe pelo trabalho que te dei, agora preciso mesmo ir. - Ele disse enquanto saia.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Dando um gelo

 Durante algumas semanas ela não viu sequer o rosto do Henry. Quando chegava a sua casa ele nunca estava. Ela continuava seu trabalho enquanto fingia não estar curiosa quanto a isso – No entanto sua curiosidade foi saciada dias depois quando ele apareceu acompanhado de uma garota.
- Boa noite dona Vilma – A moça olhou e deu um sorriso simpático enquanto começava a subir e a Julia fingia nem notar sua presença.
- Vamos subir pra escutar música vovó – Foi o que ele disse enquanto também subia a escada.
- Não viu a Júlia? – Esqueceu os bons modos que eu te ensinei menino?
- E ai? Ele disse mal virando o rosto em sua direção para cumprimentá-la



 - Não sei o que esta acontecendo com meu neto. Antes era tão estudioso e comportado, mas de uns tempos pra cá vive saindo com essa menina indo “para as baladas” conforme ele diz e passando noites fora.
- Deve ser uma fase dona Vilma. Os hormônios estão à flor da pele – Julia disse fingindo não se importar muito, embora aquilo tivesse lhe causado um estranho desconforto.
- Cheguei a pensar que ele havia encontrado uma namorada legal. E ele parecia estar feliz. – Julia podia estar enganada, mas sentiu uma indireta naquele comentário.
-Vai ver não era pra dar certo dona Vilma e ele logo supera – Ela disse sem encará-la
- É uma pena – Ela disse ao se levantar – Vamos pra cozinha
- Adoraria mesmo, mas tenho que ir e descansar um pouco amanhã eu preciso estar cedo no SPA. Apareça lá qualquer dia que arrumo um garotão pra cuidar da senhora – E riu



 - Meu tempo pra isso passou querida, deixo isso pra jovens como você. - E deu seu sorriso amável de sempre como retribuição.
- Não tem idade para relaxar um pouco, ficar mais bonita e ainda mais com um bonitão a sua disposição, mas a senhora que sabe, o convite fica de pé. Agora tenho mesmo que ir.
- Se não se importa de subir para buscar seu pagamento? Desculpe, mas quando desci esqueci-me de trazer e infelizmente a idade me impede de subir e descer essas escadas como antigamente 
Se não fosse mesmo a precisão daquele dinheiro Julia deixaria para outro dia, mas era necessário.



 Assim que subiu o primeiro lance de escada já conseguia escutar os risos vindos do quarto do Henry e ficou tentando não imaginar o que era tão engraçado – Música é? Sei... – Ela pensou
Dona Vilma seguiu direto provavelmente usando sua idade para fingir problema de audição e seguiu em frente.
- Vou vender essa casa, não agüento mais subir essas escadas ela disse cansada – Aqui está querida desculpe lhe fazer subir até aqui  – Assim que pegou o dinheiro ficou imaginando passar por aquele corredor de novo. Talvez correndo, pensou.




Respirou fundo e seguiu rápido torcendo para que seu desequilíbrio rotineiro não a fizesse rolar escada abaixo – Mas agora estava tudo silencioso no corredor e ela acabou relaxando um pouco e estava descendo mais tranqüila – Era só descer alguns degraus e a porta de saída estaria logo a sua frente. Só que já chegando nos últimos degraus ela o avistou sem camisa e vindo em direção a escada.
 "Não olha, não olha” Ela começou a repetir mentalmente tentando não desviar o foco da saída.
Nem foi preciso tanto já que ele passou direto virando de leve o rosto no sentido oposto a ela.
- Mas que gracinha, agora está fazendo birra, assim parece ainda mais um bebê.  Boa noite neném – Ela não resistiu em provocá-lo antes de sair.