quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Hora extra


Lá estava meu domingo passando rápido demais, mas pelo menos foi um domingo que eu estava me sentindo muito bem. A noite passada foi maravilhosa, porém eu estava em meu juízo perfeito em lembrar que ele é um recém-separado e pai de uma filha e só precisava de alguém para passar uma noite de prazer – assim como eu estava precisado – e já que não estou disposta a me envolver tanto assim com alguém, ou melhor com ninguém, foi perfeito. O lugar mais longe que eu fui foi para o parquinho das crianças e fiquei ali brincando em lugares mais altos enquanto o Gustavo estava todo sujo explorando o gramado.



 Na segunda o dia percorreu normalmente como outro qualquer tirando a hora de que ele trouxe a Rebecca no mesmo horário junto com os outros pais. – ele estava com uma camiseta que tem da mesma cor dos seus olhos e deu um bom dia junto com sorriso – tentei disfarçar o clima e foquei meus olhos na Rebecca e tirei do seu colo e logo depois ele foi embora.

Passou outro dia normal e na hora marcada as crianças uma a uma começaram a ir embora, a Rebecca ficou por último brincando com o Gustavo em seu quarto até o seu pai chegar. – abri a porta e lá estava ele novamente sorrindo pra mim.



- Ela esta ali no quarto com o Gustavo, fique a vontade eu estava sem saber como reagir nessa situação. – Ia começar a guardar os brinquedos espalhados pelo chão quando ele perguntou:
- Só tem a Rebecca? Nenhuma outra criança para buscarem?
- Sim só tem ela e o Guto, todos os outros já foram. 
- Então vou seguir sua sugestão e ficar mais a vontade.



- Pensei muito no que aconteceu entre nós aquela noite e quando você abriu a porta de manhã deu uma vontade de te dar um beijo, mas não estávamos sozinhos então agora de tarde fiz um esforço pra chegar atrasado e ser o último. Ainda bem que deu certo. – Ele não fez cerimônia e me agarrou ali mesmo na sala e eu não ofereci o mínimo de resistência.



 Se não fosse o barulho das crianças vindo do quarto eu teria esquecido que não estávamos sozinhos e teria puxado ele pro meu quarto novamente, porém essa não era a hora certa.
Assim que nos afastamos a Rebecca apareceu na sala segurando um ursinho novo que eu havia comprado há poucos dias e falou toda dengosa pro seu pai.
- Já vamos embora papai?




- Já brincou bastante, não é? Hora de jantar e depois dormir mocinha.
- E o Guto também precisa de um banho e descansar... Só se o papai quiser ficar mais um pouco e jantarmos todos aqui, o que você acha papai? – nem imaginam o tom de indireta que eu usei.
- Fala sim papai, fala sim! Ai eu posso brincar só mais um pouco. – Pediu empolgada. Ainda bem que ela adora ficar aqui ou teria perdido essa oportunidade.
- Quem sou eu pra discordar de vocês? Mas eu ajudo na cozinha, faço questão.



Depois ele pediu licença para abrir minha geladeira e ter a certeza que tinha algo realmente comestível ali – eles devem me achar magra demais e acham que não como nada – e depois ele ainda quis fazer a comida preferida da Rebecca. Eu não reclamei, qualquer coisa que eu deixasse de fazer era lucro. Eu estava cansada demais pra me preocupar com jantar apesar do convite.
- Está pronto – Chamou assim que colocou o prato sobre o balcão da cozinha – e o cheiro estava mesmo muito bom.




 Depois de jantar as crianças logo caíram no sono o Gustavo já havia mostrado sinal de cansaço antes mesmo de jantar. – A melhor parte foi depois disso quando ficamos a sós.
Não pensei duas vezes antes de joga-lo na cama e pular por cima dele quando estávamos sem parte das nossas roupas.
Bem e ai foi outra noite muito agradável...




 Mas como dizem que tudo que é bom dura pouco logo estava de pé, faltavam trinta minutos para começar outro dia de trabalho e logo ele apareceu na sala.
- Bom dia!                      
- Bom dia e até mais tarde. Pegou tudo? Não esqueceu nada?
- Tirando minha filha que ainda está no quarto acho que estou com tudo.
- Então tchau
- Como assim “então tchau”? Está me expulsando, é isso? Nada de café da manhã? Depois dessa noite eu amanheci com fome, sabia? - Já ouvi uma reclamação parecida se bem que ele tinha mais motivos pra sentir fome depois dessa noite - pensei comigo.



 - Sua casa é logo ali, mas pode pegar um suco na geladeira e ir tomando se quiser – não sei se fiz o certo porque notei certo desconforto em seu semblante, então tentei consertar. – Olha é que faltam apenas quinze minutos para começar aqui e eu acho não é certo eles chegarem aqui e encontrar um homem na minha casa. O que vão pensar? Eu te digo o que vão pensar.
- Se for uma mãe vai pensar: “- Eu não deixo mais meu filho com essa vadia que dorme com homens casados e logo vai querer dormir com meu marido”. – agora se for um pai assanhado vai achar que é algum tipo de bônus e vão começar a me cantar. 
- Não sou casado – Ele tentou justificar, mas alguém notou que ele ainda não tirou a aliança do dedo? – Eu notei...
- Até mais tarde Martin – E dei um selinho antes dele sair. Espero que ele tenha entendido minha justificativa.


quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

E então finalmente aconteceu...

Quando chegamos já estava de noite.
- Vocês estão entregues, agora eu preciso levar minha mocinha para tomar um banho e fazer alguma coisa para ela jantar, logo ela apaga de tanto cansaço. – pensa, pensa, pensa... Mais rápido mais rápido! – Tinha que pensar em algo e fazer com que ele ficasse.

- Tenho comida pronta que da para os dois que fiz hoje de manhã, se você quiser. – Eu sei que não é a coisa mais original a se dizer, mas queria que pensasse em algo elaborado assim em cima da hora?  



- Só se alimentar o pai também porque eu também estou com fome – ele brincou.
- Isso é fácil, se é claro você não se incomodar de comer comida congelada.

- São minhas favoritas depois da comida 100% natural que eu colho diretamente da horta que eu tenho em casa. – comentou em tom de brincadeira.

- Sem cachorro quente de vez em quando? Que chato isso. Ainda bem que você tem a tia Lia pra te salvar Rebecca.

- Já deu isso pra ela comer? Ele perguntou em tom de “Oh meu Deus eu não acredito que está entupindo minha filha com porcarias” – então eu menti afinal foi só uma vez... – Claro que não, estava brincando.




Eles estavam mesmo precisando de um banho e estavam com muita fome, mas eu fui bem rápida em alimentar todos enquanto me contentava com uma maçã. – tudo pronto e coloquei-os no quarto do Guto. Agora foi a primeira vez que vi realmente uma vantagem de ter um berço extra no quarto do Gustavo que estragava toda a cuidadosa decoração que eu tinha mandado fazer. 

O Gustavo já estava dormindo e a Rebecca cochilando e como ela conhecia bem o lugar não foi difícil que logo também pegasse no sono.



Sai do quarto e esperei que ele aparecesse na sala e eu já estava determinada a agarrar ele essa noite de qualquer maneira, mas nem foi preciso...
- Como eu estava dizendo naquela hora antes de sermos interrompidos... – ele guiou com o dedo meu rosto em direção ao seu e finalmente senti nossos lábios se unirem. – isso fez meu coração disparar e logo estava envolvendo meus braços em torno do seu pescoço puxando pra mais perto de mim. Com certeza era tudo isso que eu imaginava e um pouco mais.





Quando pensei que eu estava muito afobada e talvez indo rápido demais ai foi à vez de ele me puxar com mais força e pra mais perto fazendo nossos corpos tão grudados que aposto que não passaria um raio de luz entre nós.  
Nem nos meus melhores delírios com ele eu poderia imaginar ser tão perfeito. Finalmente parece que estou sentindo algo mais forte por alguém desde que sai de Bridgeport.




Não conseguíamos mais conter tanta empolgação e sai puxando ele para o meu quarto e comecei a tirar suas roupas permitindo minhas mãos passearem pelo seu corpo sentindo cada pelo do seu corpo roçar na palma da minha mão e quando eles tocaram na minha pele senti meu corpo vibrar de desejo. Ele parecia um pouco menos afoito e seus movimento seu eram em pontos mais estratégicos o que me fazia ficar ainda mais... Hummm... Entusiasmada.





Nem preciso dizer o resultado final, não é? Permiti-me muito essa noite como há tempos não fazia o estranho foi que depois algum tipo de alerta soou dentro de mim, Talvez um “cuidado! Esta começando a se envolver emocionalmente” como toda vez que começo a sentir algo por alguém, mas eu não importei com isso e ignorei logo em seguida.

Antes de pegar no sono levantei para certificar que as crianças estavam dormindo e apaguei em seguida assim que deitei.

- Está quase na hora da Rebecca acordar, tenho que leva-la pra casa... – Acordar com seus carinhos e ver aqueles lindos olhos azuis olhando pra mim de forma tão gentil me fascina.





Por mais que meu corpo ainda pedisse que eu voltasse pra cama eu sabia que o Gustavo também não demoraria a acordar. Depois de arrumados eu sentia vontade de pedir para que ele ficasse mais um pouco, mas talvez fosse precipitado demais.

- A noite foi maravilhosa, eu adorei – Ele sussurrou no meu ouvido fazendo meu corpo arrepiar novamente. Não resisti e beijei com vontade e com a intenção de deixa-lo com vontade de quero mais.




quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Foi por tão pouco...


Estava acabada no final do dia só faltava a Rebecca para ir pra casa eu sentei no sofá porque se eu deitasse eu dormiria de tanto sono eu fiquei ali olhando os dois brincando por um bom tempo até que finalmente a campainha tocou.
- Desculpe a demora.
- Sem problemas a Rebecca está ali com o Gustavo pode entrar.



Depois de pegar a filha ele aproximou-se
- Não gostaria de levar o Gustavo no final de semana em um rancho onde eu estou treinando meu cavalo para a competição? Sabe é um lugar bem tranquilo, com bastante espaço para brincarem e a Rebecca adora ir pra lá. – ele fez uma pausa e depois continuou um pouco sem graça – Seu namorado também pode ir se quiser...
- Namorado? Ah não, eu não tenho namorado. Se o Gustavo estiver bem eu vou sim – aceitei o convite – eu vi um sorriso brotar no seu lábio ou estou enganada?





No sábado de manhã ele estava na porta de casa para buscar e era um pouco longe e por um lado da cidade que eu nunca havia ido antes. – Assim que chegou colocou a Rebecca no chão e entrou em um cercado com alguns obstáculos para treino dos animais.
- A Chadonnay já está pronta Martin – disse um homem se aproximando com uma égua cor de caramelo de pelos bem brilhantes.
Eu gosto de animais, mas com certa distância não sou acostumada com eles então eu resolvi ficar do outro lado da cerca para garantir. – escutei a voz da Rebecca já longe – “fia, fia...”.



Quando estava indo ao seu encontro e ela chegou perto de uma mocinha e estendeu os braços para ela.
- E ai Becca, como você está?
- Me põe no cavalo?
- Só vem atrás de mim por interesse, né? Vamos lá. – Mais ao fundo tinha um cavalinho com mola onde ela foi colocada.
Não sabia quem era ela, mas a Rebecca pareceu gostar muito dela.



- Olha o seu papai vai saltar, não quer ver? – Ela disse esticando os braços para pegar a Rebecca que nem pensou duas vezes.
Quando Cheguei mais próximo com o Gustavo nos braços ele estava vindo em nossa direção. Sabe aqueles contos de fadas que o príncipe vem montado em um lindo cavalo para resgatar a princesa em perigo? – tá é ridículo, eu sei, mas eu me senti a mocinha em perigo doida pra que ele me levasse dali.



Depois de delirar um pouco com meu conto de fadas e da empolgação momentânea do Guto com o cavalo ele quis brincar no chão um pouco e eu... Bem eu precisava ir ao banheiro.
- Eu escutei a Rebecca te chamando de Fia, mas esse não deve ser seu nome, não é?
- Meu nome é Sofia, mas ela não consegue falar o meu nome.
- Oi eu sou a...
- Tia Lia, é claro – ela completou – Toda vez que vem aqui ela fala muuuuito de você.
- Então Sofia eu preciso mesmo ir ao banheiro, pode olhar o Gustavo pra mim e me dizer aonde é que fica?
- Claro que sim. É só ir ali prá trás perto do galpão, não tem erro.



Com não tem erro? Além do estábulo e das às árvores eu só vi o galpão e o banheiro nada. Será que ela queria que eu fizesse atrás de uma árvore ou de um desses montes de feno?  Estava voltando pra procurar novamente quando o Martin apareceu.
- Procurando algo?
- Na verdade sim, e você? – Não tive coragem de falar o que era, na verdade acho que a vontade até passou.
- Acabei de encontrar o que estava procurando. – Sério? Não tinha nada ali a não ser eu e com o sorriso que deu...






Ele me olhou esperando um sinal então eu dei um leve sorriso como um tipo de aprovação e ele não perdeu tempo me puxando ao seu encontro olhando bem em meus olhos e depois pra minha boca... Era agora que eu iria matar toda a minha vontade de agarrar esse homem. – Ele me abraçou, puxou para mais perto, meu coração começou a acelerar e eu fechei meus olhos e fiquei esperando o beijo. Senti sua respiração e seus lábios quase tocando os meus quando algo decepcionante aconteceu. 




- Não disse que ela estaria por a-qui – Sofia disse pausadamente a última palavra enquanto colocava o Gustavo no chão e percebendo que tinha atrapalhado algo– Ah caramba, eu... eu... eu sinto muito! – Foi mau gente, desculpe.
Tanto faz ela já tinha atrapalhado mesmo – Ele já havia se afastado e com a cara mais decepcionada que a minha.
- Já esta ficando tarde, é melhor te levar pra casa – Suspirou.