- Eu sinto muito por isso dona Vilma, sinto mesmo só achava que era o melhor pra ele... Ele já tinha tudo planejado e uma carreira de sucesso pela frente, não seria eu a atrapalhar.
- Ainda pensa assim? Tem muito que aprender minha filha. O amor nunca atrapalha, nunca...
- Mande lembranças a ele quando voltar a Bridgeport dona Vilma, agora eu tenho mesmo que ir.
- Bridgeport? Quem disse que ele está lá? Ele também está aqui em uma reunião com alguns médicos no hospital da cidade – Foge Julia, foge! – um alarme gritava desesperado dentro da minha cabeça e eu estava indo obedecer quando o que eu temia aconteceu.
- “Mamãe eu to com fome” – Gustavo me puxou pelas mãos e com isso fazendo com que dona Vilma olhasse para ele.
- Já estamos indo meu amor – Tentei disfarçar o nervosismo enquanto falava.
- Meu pai do céu! – ela disse perplexa – Bem que eu desconfiei aquele dia que você estava escondendo alguma coisa! É filho do Henry, não é?! Ele é muito parecido com ele... Os olhos e a feição... – ela constou depois abaixar e olhar mais de perto.
- Não sei do que está falando dona Vilma ele é meu filho com outra pessoa e agora eu tenho mesmo que ir.
Ela esticou os braços como se quisesse impedir minha passagem, mesmo sabendo que ela não conseguiria por sua idade já avançada.
- Eu não acredito em você. Desculpe, mas não acredito... Se olhasse as fotos que tenho do meu filho e do meu neto quando pequenos saberia do que estou falando Julia. E sem falar o tamanho dele... Você não engravidaria de alguém assim que chegasse lá, não tente me enganar.
- Não é dona Vilma, já disse que não é! – disse tentando disfarçar meu desespero.
- Então vamos falar com o Henry, vai falar um oi pra ele e aproveite e leve o menino pra ele conhecer... Qual o nome dele Julia?
- Gustavo – não sabia se era o certo a fazer, mas ela já tinha visto mesmo negar a informação do nome era o de menos agora. – Eu queria muito ver o Henry dona Vilma, quem sabe outro dia?! – Havia uma verdade ali, eu queria muito ver o Henry, muito mesmo, mas não é o certo a se fazer.
- Que pena que não vai poder encontrar com o Henry eu aposto que ele iria adorar te encontrar e contar pessoalmente as novidades – Eu estava me sentindo pressionada, sufocada e sem saber como agir com discrição e com simpatia sem dar na cara o obvio.
- Quem sabe algum outro dia teremos essa oportunidade? Eu ligo pra vocês assim que voltar a Barnacle Bay. Eu estou super atrasada dona Vilma – Peguei depressa meu filho e o apertei contra meu corpo e sai apressada quase correndo.
- Julia! Espera! – ela ainda pediu, mas não iria voltar ali enquanto ela ainda estivesse na cidade.
Cheguei com o coração batendo forte e parece que fazia força para sair pela boca, As coisas pela primeira vez começaram a sair do meu controle. Eu precisava pensar rápido e precisava agir rápido. E se me encontrassem? E se fossem atrás de mim? – Peguei o Gustavo de dentro do carro, ele havia dormido no caminho.
Respirei fundo – eu disse que estaria voltando hoje para Barnacle Bay então não tenho com que me preocupar se acalme Julia.
domingo, 27 de janeiro de 2013
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
Vai dar pra fugir dessa? - Parte I
O dia estava maravilhoso para um passeio no parque e aproveitando que o Gustavo já tinha acordado e o sol não estava muito quente pra que esperar mais? Peguei tudo que era necessária entre elas uma roupa extra já que é bem provável que ele se suje e a cesta de piquenique já que não iria voltar para o almoço. – Tudo pronto eu peguei tudo e coloquei na van. Vai ser o meu primeiro passeio com o Gustavo no carro novo, o coloquei em sua cadeirinha no carro e fomos.
- Que tal aqui bebê? Promete brincar muito até cansar? Heim?!
Eu o coloquei em um lugar que ele escolheu pra brincar perto de uma linda árvore e fiquei sentada no balanço. Estava bem fresquinho por conta do inicio da primavera e o cheiro das poucas flores e da grama recém aparada. – Fiquei ali por um tempo observando ele brincar livremente quando uma coisa me assustou. – Eu conhecia aquela voz que me chamava...
- Julia? É você mesmo? – Perguntou uma voz doce, porém um tanto tremula talvez efeito da sua idade já mais avançada.
- Dona Vilma?! – Levantei empurrada pelo susto que levei. – Senti como se meu corpo tivesse ficado congelado. Talvez estivesse ficado branco como um papel. – Fixei meu olhar para a senhora para ter a confirmação, talvez eu estivesse enganada embora ela já estivesse parada ali na minha frente sorrindo para mim.
Sim era ela,
sem duvida alguma. Meu corpo ainda paralisado não sabia como reagir e meu
cérebro também havia entrado em estado de emergência. Não sabia se corria se gritava
se fingia não ser eu, se pegava o Gustavo ou se o mantinha afastado, mas como
faria isso? Nenhuma das opções era a certa a fazer, mas também a outra que me
restou me colocaria em uma situação que eu escolhi não enfrentar a quase quatro
anos atrás. – E agora? – Esbocei um sorriso e minha cara deve ter ficado de
abobalhada.
Talvez se eu
conseguisse ser bem rápida ela iria embora sem nem ao menos perceber a presença
do meu filho.
- Não vai
perguntar do Henry? Não quer saber como ele está?
- Que tal aqui bebê? Promete brincar muito até cansar? Heim?!
- Julia? É você mesmo? – Perguntou uma voz doce, porém um tanto tremula talvez efeito da sua idade já mais avançada.
- Dona Vilma?! – Levantei empurrada pelo susto que levei. – Senti como se meu corpo tivesse ficado congelado. Talvez estivesse ficado branco como um papel. – Fixei meu olhar para a senhora para ter a confirmação, talvez eu estivesse enganada embora ela já estivesse parada ali na minha frente sorrindo para mim.
Sim era ela,
sem duvida alguma. Meu corpo ainda paralisado não sabia como reagir e meu
cérebro também havia entrado em estado de emergência. Não sabia se corria se gritava
se fingia não ser eu, se pegava o Gustavo ou se o mantinha afastado, mas como
faria isso? Nenhuma das opções era a certa a fazer, mas também a outra que me
restou me colocaria em uma situação que eu escolhi não enfrentar a quase quatro
anos atrás. – E agora? – Esbocei um sorriso e minha cara deve ter ficado de
abobalhada.
- Dona
Vilma, quanto tempo – Abracei assim que ela chegou perto apoiada em uma bengala.
– parecia tão mais frágil daquele jeito.
- Se não me
falha a memória deveria estar morando em Barnacle Bay, certo?
- Eu estou a
passeio e volto ainda hoje pra lá. – menti descaradamente, eu não podia falar a
verdade. – Dona Vilma me desculpe, mas tenho que ir estou com muita pressa. Ela
me olhou com aqueles olhos de analise como fez no dia que me despedi em sua
casa em Bridgeport.
Eu poderia dizer a ela que eu sabia – pelo
menos até certo ponto eu sabia – de como ele estava e com quem ele estava, mas
isso indicaria que eu continuava interessada em sua vida mesmo de longe.
- Ah sim,
como ele está?
- Agora ele
está bem, mas sofreu muito quando você foi embora para Barnacle Bay. Sabia que
ele foi te procurar por lá assim que ele terminou seu estágio em Riverview e
não conseguiu te encontrar? Ele não me falava, mas sabia que ele estava
sofrendo – Essa doeu – Senti um aperto forte no meu peito como se alguma coisa
me esmagasse por dentro.
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
Férias
Naquela noite eu tive o pior sonho dos últimos
tempos
- Me conta
Jully, o que está escondendo de mim? – Ele apertava com força meus braços tentando me
forçar a contar o que eu não falaria de forma alguma.
- Não tenho
nada pra te contar, vai embora daqui!
- Não saio
daqui até me falar, eu preciso saber! Fala agora! – Ele gritou comigo como
nunca fez de verdade e isso me assustou ainda mais.
- Já disse
que não tenho nada pra te falar – Empurrei para longe de mim com todas as
minhas forças e com o movimento acordei assustada.
Depois disso
minha vida continuou o de sempre a não ser pelo fato de que por causa da
baixíssima temperatura todos ficam dentro de casa juntos e os brinquedos
começaram a não chamar mais a atenção deles o que fez com que eu sofresse as
consequências. Eu era um playground ambulante onde cada membro meu era
disputado para servir de cavalinho ou algo do tipo. Mesmo com tantos anos
cuidando deles nunca foi tão cansativo e quando chegou o inicio da primavera eu
estava completamente esgotada.
Os estresse dos últimos meses me fez enxergar que eu precisava de umas férias prolongadas e não pensei duas vezes. Liguei na outra
manhã para a prefeitura e pedi.
-Não, eu
sinto muito mesmo, mas desta vez eu preciso mesmo dos meus trinta dias.
Pretendo viajar alguns dias com meu filho. – eu inventei na hora essa desculpa
– Obrigada e não se esqueça de avisar aos pais eu não quero nenhum desavisado na minha porta amanhã cedo.
No final do
meu primeiro dia de descanso a campainha tocou – O Martin veio fazer uma visita
junto com sua filha e deu seu lindo sorriso quando abri a porta.
- Ficamos
sabendo das suas férias e da sua viagem. Só queria saber se quer que eu tome
conta da sua horta na sua ausência. – Apesar do que aconteceu entre nós e de
todo esse tempo sem dar tempo para conversarmos direito ele ainda é a pessoa
mais próxima a mim na cidade então eu falei a verdade.
- Eu só
preciso de um descanso, entende? Não vou sair da cidade e se eu não falasse
isso eles só me dariam quinze dias agora e quinze no meio do ano... – Ele
apenas me ouviu e entendeu meu motivo.
- Mas já que
estou aqui e desculpe por me meter, mas eu vi sua horta nesses últimos dias e como
você deixou acontecer aquilo? Está quase tomada pelo mato e estão murchas. Vou
arrumar aquilo para você.
Já que ele
reclamou tanto eu não recusei a ajuda estava mesmo precisando e durante nossa
conversa ali ele me contou que apesar de tentar de novo reatar seu
relacionamento com a Estella mais uma vez não deu certo.
- Ela voltou
para a cidade e ficou sabendo do nosso envolvimento – eu mesmo contei – mas ela
não demonstrou qualquer tipo de reação, apenas disse que entendia e não tinha
nada demais já que estávamos separados. Eu continuo com a Becca e ela pega a
menina de vez em quando fazendo seu péssimo papel de mãe como sempre. – Olhei
para a mão dele só para verificar e ele não usa mais a aliança.
Quando
terminamos as crianças continuavam brincando cheios de energia no parquinho e
eles estavam tão sujos quanto nós dois que estávamos mexendo com a terra. Entrei
e tomei um banho e em seguida dei banho nos dois porquinhos.
- Fica pra
jantar? Digamos que é o pagamento pela ajuda prestada.
- Só seu eu
puder pelo menos me lavar, posso? – Claro que ele podia eu até ajudaria se
fosse necessário – eu pensei. Não reclamem ou me julguem, tá? Estou tão carente
e nem imagina o quanto.
Ele voltou
um tempo depois sem camisa enquanto cortava alguns legumes que tínhamos colhido
há pouco.
- Uau –
brinquei ao ver ele se aproximando sem camisa. – Ele riu e me suspendeu pra
cima da mesa.
- Uau – ele
me imitou ao passar a mão acariciando de leve minha perna.
- Agora para
de graça que eu tenho que terminar aqui. – tentei descer, mas ele impediu.
- Pensei em
outra coisa antes de jantar. Ver você ali cozinhando com essa saia tão
curta...
- E eu
pensei nas crianças aparecendo a qualquer momento, não quero confundir a cabeça
deles.
- Vou ver
como eles estão e já volto. – Eu finalmente desci e fui terminar o que estava
fazendo, mas ele voltou em um piscar de olhos.
- Pronto eu já
olhei eles e aproveitei pra ligar a babá eletrônica, onde estávamos mesmo? –
ele me puxou para o seu colo e entrar em contato com seu corpo novamente foi
muito bom. Eu não estava com tanta fome mesmo e o doido me deitou ali mesmo no
chão da sala escondidos atrás do sofá como dois adolescentes aprontando – assim que ele começou a me beijar no pescoço eu
arrepiei. Não podíamos demorar e graças ao cumprimento da minha saia nem
precisei tirar toda a roupa o que facilitou um pouco. – Rápido, mas nem por
isso deixou de ser intenso, não podia ficar brincando eu ainda precisava
alimentar nossos filhos.
Depois de alimentamos as crianças com uma
sopinha eu arrumei a mesa para jantarmos então ele vestiu a
camiseta novamente.
- Não estava
suja?
- Ainda está
suja e suada também, mas mamãe me educou a nunca sentar a mesa sem camisa. E
disse que nunca ir embora antes da sobremesa – e passou a mão na minha perna
por baixo da mesa.
- Duvido que
ela tenha falado sobre a segunda parte e nem pense nisso. Não se acostume
com o que aconteceu hoje aqui, eu não quero mais nenhum homem dormindo na minha
casa e você precisa levar a Becca antes que ela durma. Amanhã é meu segundo dia
de férias e eu não quero acordar com crianças alheias chorando.
- Você é
sempre tão fria assim?
- Nem
imagina o quanto.
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