quarta-feira, 20 de março de 2013

Modelo? Eu?


Dois dias depois começou o meu curso e foi o que me fez ficar mais a vontade. Decidi também que se era pra ficar ali por mais uns dias arrumaria algum bico de mixóloga e descobrir o que mudou e fazer um tipo de aperfeiçoamento. Ele quer ficar com o filho? Então fique quando estiver exausto depois de um dia cansativo de trabalho, eu já havia feito isso muitas vezes então vou dar novamente esse prazer da vida de papai a ele.
Passei de tarde antes da Happy hour no boteco do Eugi pedi uma bebida e aproveite pra me informar se precisavam de alguém. O mixólogo disse que sempre estão precisando de uma ajuda extra e adoraria me ajudar com as novidades - pareceu empolgado demais, ou foi impressão? - E
ntão ficou decidido que essa noite eu iria trabalhar. 






 Passei direto para o meu quarto e o Guto dormia tranquilamente, e o Henry provavelmente deveria estar dormindo no seu quarto. Sai para ir à cozinha, mas parei em frente a uma porta logo do lado ao quarto que estava e que não sabia o que tinha lá dentro, a curiosidade aguçou minha vontade de entrar... O que teria lá dentro? – Abri a porta devagar e entrei – Nada demais, dois aparelhos de ginástica e uma mesa usada para desenhar e uns desenhos de roupas e acessórios nas paredes. Não estava definido o que era aquilo ao certo, mas nada de interessante.





- Ela trouxe pra cá pra praticar, já que na republica é muito barulhento e está no último ano. Está terminando um ultimo desfile antes de se formar, tivemos que improvisar empurrando os aparelhos para os lados, eu não tenho tempo de ir à academia... – Dei um pulo quando ele falou logo atrás de mim. 
- Desculpa por ter entrado sem pedir.
- Estava ali bebendo água e vi quando você chegou. Já disse pra sentir-se em casa, estou me achando um monstro toda vez que chego perto de você. 







- Eu só estou precisando de um lugar só meu e do meu filho Henry, que não atrapalhe a vida de ninguém... Já te disse isso. 
- Nosso filho... E se tem tanta pressa pra sair daqui eu vou te ajudar a procurar, mas vai ficar mais cansativo ter que ir e vir sempre que quiser ver o Gustavo. Vou dormir um pouco já que chegou.
- De qualquer forma vai ser assim, não é? E eu também vou descansar, de noite vou trabalhar um pouco no bar pra matar a saudade e ver as novidades.







Dormi e acordei com o Gustavo chamando, tirei-o do berço e fui tomar um banho e me arrumar. Quando abri a porta do quarto lá estava a “Miss Metida” com outra amiga que estava usando um modelito de gosto duvidoso conversando sobre um blá, blá, blá de moda. – Respirei fundo antes de passar pela sala e usei minha simpatia para dizer uma “boa tarde” forçada. Bebi a água o mais rápido possível pra me mandar dali. Foi ai que ouvi um “Ela é perfeita, porque não fala com ela?” e logo depois um cochicho nada discreto da noivinha, a amiga retrucou em seguida “E dai?”. Não sei do que falavam, mas sai rápido do local.



Ainda era cedo para sair, então voltei para o quarto e algum tempo depois ouvi batidas na porta, levantei rapidamente e abri a porta. – Lá estava à amiga na minha frente e a coisinha logo atrás sem nem olhar direito pra mim. – Sai e fechei a porta para que o Gustavo não acordar.
- Pois não? - Perguntei desconfiada.
- Posso falar com você? – ela parecia simpática, mas estava desconfiada sendo amiga de quem era eu preferi manter um pé atrás.
- Já está falando, o que quer?







- Eu e as minhas amigas estamos precisando de uma modelo pra uma campanha de roupas... Não gostaria de tentar? Na primeira vez será para a faculdade mesmo, mas se der certo poderá participar de campanhas em revistas e outdoors... Não é muita coisa, principalmente para iniciantes, mas é uma quantia satisfatória levando-se em conta o tempo trabalhado. 
- Não, muito obrigada, não é esse o meu trabalho.
- Pagamos razoavelmente bem, e sabe, você tem o corpo perfeito pra isso. A mídia adora esses corpos magros, tez morena e olhos claros – perfeita.
- Eu agradeço, mas não me interessa mesmo, agora desculpe eu tenho que sair.









Quando pensei que estava livre a coisinha resolveu se intrometer. 
- Se minha amiga acha que você é boa pra isso deveria acreditar e aceitar ela tem o dom pra isso e já lançou com seu pouco tempo na agência algumas modelos no mercado.
- Como já disse – falei sem paciência – Eu não estou afim.
- Pensei que tinha falado pro Henry que estivesse com vontade de ganhar dinheiro para comprar a casa e finalmente nos deixar em paz. – Ah que ódio dessa mulher, a vontade que eu tinha era de socar a cara dela... E parecia fazer questão de ficar balançando a mão para exibir seu anel detestável de noivado, mas ela tinha razão quanto ao dinheiro, mas não de ficar se intrometendo na minha vida.
- Isso já não é da sua conta, e... - Virei para sua amiga - Qual seu nome mesmo?
- Lizy
- Então... Vou pensar na sua proposta, agora com licença. 







Fechei a porta e liguei para a babá, não sabia se o Henry estava em casa ou não e nem me arrisquei a perguntar, sentei na cama e comecei a pensar. Nunca passou pela minha cabeça fazer esse tipo de trabalho, não sou tão simpática assim, não sou bonita e não sou sociável e a prova é que passei anos em Starlight Shores e passaram por mim dois homens de curto relacionamento e nenhuma amiga que pudesse confidenciar minhas coisas. Nem sei se sou fotogênica o suficiente pra isso, mas o quanto será que estariam dispostos a pagar? Talvez o dinheiro compensasse mesmo e eu sairia desse lugar irritante, mas isso também faria com que não tivesse mais desculpas para não voltar a morar nessa cidade, porém eu não poderia mais separar pai e filho.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Então vamos lá...

Levantei bem cedinho e sem acordar o Gustavo me arrumei e peguei a babá eletrônica. Não gostava de entrar no quarto do Henry, tinha raiva de entrar nesse cômodo tão perfeitamente arrumado e cheirando aquela mulher (não eu não costumo entrar aqui, na verdade foi a primeira vez), mas enfim... – Coloquei a babá eletrônica no criado mudo logo ao lado do Henry, fazia pouco tempo que ele havia chegado do seu plantão do hospital, mas ele não queria ser o papai perfeito, então que assumisse essa parte também. Em outros casos eu chamaria a babá, mas vamos deixar ele se divertir.
- Olha Henry, estou deixando aqui para você escutar quando o Gustavo acordar eu estou de saída, divirtam-se.  – Só fiquei ali o suficiente para ver que ele havia acordado e ouvido o recado, ele levantou a cabeça com um meio sorriso e disse algo parecido com “unrrum” e sai do quarto.







Fui atrás do curso para massoterapia que eu tinha visto anuncio quando estava em Starlight Shores, agora já que estou morando aqui mesmo que contra minha vontade eu poderia ao menos fazer isso.  Trabalhei tanto aqui e agora vou entrar como uma aluna e não como empregada. Algumas pessoas ali ainda eram da minha época e lembraram-se de mim, outras não conhecia. – Bem o importante é que eu finalmente dei o primeiro passo, não que estou empolgada, mas é algo que eu gosto. Missão cumprida, matriculada no curso e agora é só ocupar meu tempo enquanto estou aqui. 




Passei direto para um parque, estava com uma saudade dos fast foods servidas nessa cidade e estava tudo tão delicioso que não sabia o que comer primeiro... Nachos, hot dog ou batata frita com queijo e chili? Talvez um pouco de cada acompanhado por uma deliciosa limonada super gelada. – e voltei para o meu cárcere. É o segundo dia e já não estou mais aguentando isso. Quando entrei ele estava fazendo alguma coisa na cozinha e eu iria passar direto, mas acho que ele precisava dormir. - Estou indo pro quarto, quer que leve o Gustavo?
- Não, pode o deixar brincando ai, estou preparando um lanche aqui e já vou ficar com ele. – Se era o que queria... 





Cheguei ao quarto e meu celular tocou, era o Martin, fiquei tão feliz em ouvir uma voz amiga. Ele queria saber se iria ficar mesmo por Bridgeport ou voltaria pra minha casa.  
- Eu ainda não sei, só que nesse apartamento não está dando pra ficar. Eu não vejo a hora de sair desse lugar. Sabe um lugar que você sabe que não é bem vinda? Assim que estou me sentindo Martin, parece uma tortura tudo isso. Mas hoje já fiz uma matricula em um curso de massoterapia que dura uma semana, pelo menos vou passar menos tempo trancada aqui dentro...




- Eu sei... Obrigada pelo menos por ter ligado, precisava conversar com alguém, diz pra Rebbeca que a tia está morrendo de saudades dela. Beijos Martin. – Pelo menos alguém pra me alegrar hoje. Deitei na cama e senti minha barriga estranha, deve ser a mistura de tudo que eu comi. Fiquei ali deitada de barriga pra baixo por um tempo, logo eu estaria bem novamente e se não estivesse desceria a compraria um sal de fruta no mercadinho ali pertinho. Acabei cochilando e acordei pouco tempo depois com uma cólica terrível.




- Que droga! – resmunguei com a raiva que estava sentindo, se eu parasse de comer essas porcarias oferecidas em todos os cantos de Bridgeport... Encolhi-me na cama tentando fazer que isso a dor passasse, não deu certo então virei de barriga pra cima passando a mão na barriga como se isso fizesse o mal estar passar.
- Você está bem? – Só ai eu notei o Henry dentro do quarto e trazendo o Gustavo no colo já adormecido.
- Eu pareço bem por acaso? – respondi brava. – Ele fez uma careta e virou de costas para colocar o Guto no berço







- Vem aqui, me deixa ver – afastou um pouco meu cabelo pra trás e colocou a mão na minha testa para verificar a temperatura, mas eu só sentia um suor frio no meu rosto. – ele disse o que eu já sabia – Comeu porcaria na rua de novo, não é? Nunca vai aprender.
- Não é da sua conta.
- Jully... – ele começou a falar, parecia um pouco incomodado, fazia tempo que ele não me chamava assim – Eu só queria te dizer que você é bem vinda aqui, desculpe se te fiz sentir o contrário, mas você não me deu muitas alternativas. 
- Sua noiva não me faz sentir assim e você tentando tirar meu filho de mim! Quer que eu me sinta como Henry? Você está tentado tirar a única coisa de valor inestimável que eu tenho.
- Nosso filho Julia! Nosso!!! Você negou a nós dois um convívio por causa dos seus preconceitos idiotas e acha que eu iria reagir como? Heim?! E quanto a Dayse... Ela tem seus motivos de agir assim, não tem?  – Ele levantou e foi em direção à porta.




- Ei, espera! Aonde você vai? – nem sei por que perguntei, mas havia uma duvida no ar. – Ele virou se.- Buscar um remédio, é claro.
- Porque veio com esse papo de eu ser bem vinda? Escutou o que eu disse no telefone atrás da porta? – perguntei desconfiada.
- Claro que não, mas a babá eletrônica eu levei pra cozinha está ligada e essa do quarto você esqueceu-se de desligar, presta mais atenção da próxima vez. – Como sou burra! Pelo menos deveria ter xingado ele então. – Ele voltou com o remédio e saiu após conferir que havia tomado. Voltei a ficar ali sozinha novamente na minha prisão.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Voltando à Bridgeport


Fiquei arrumando as nossas coisas durante uns dois dias enquanto o Henry passeava pra lá e pra cá com o Gustavo, queria a certeza que não iria esquecer nada. Remédios, roupas de frio, calor, banho, toalhas, roupas para mim, documentos e o principal levaria dentro de mim – coragem pra suportar isso tudo.
Ainda arrumei tempo para pesquisar um curso de massoterapia que me interessava e só tinha em Bridge ou Sunlit Tides. Agora era hora de criar coragem e partir. Olhei para algumas roupas que faltavam ser arrumadas em outra bolsa e sentei na cama desanimada.





Chegamos ao prédio que o Henry mora, em um apartamento de cobertura bem no centro de Bridgeport logo após deixar dona Vilma em sua casa – ela não gosta de apartamento então preferiu ficar em sua casa aos cuidados de uma enfermeira.
- Eu subo com ele – pegou o Guto dos meus braços – O elevador nos levou até o décimo oitavo andar.
- Amor eu estava pensando que chegaria mais tarde, só vim deixar umas coisas que ficaram faltando e... Eu estou de saída para a aula... – Ela começou a falar pausadamente e pela cara confusa não sabia o motivo do noivo carregando a criança no colo e acabou ficando parada esperando as apresentações.
- Dayse esse lindo menininho é o Gustavo que só tomei conhecimento durante a viagem, é meu filho, e essa é a mãe dele, Julia que fugiu carregando ele no ventre quando soube que estava grávida no segundo mês de gestação. – O olhar dela pra mim não foi o mais amável e ele percebeu isso, porém com o Gustavo foi mais se estivesse analisando alguma semelhança.




 
- Ele é lindo e parece um pouco mesmo com você, mas... Eles vão ficar no seu apartamento? Poderia ter pedido para alugar um só pra eles. – Que lindo, a noivinha estava com ciúmes...
- Sim eles vão ficar aqui e são só alguns dias até ela achar uma casa para comprar aqui em Bridgepot.
 - Depois conversamos, estou atrasada. – Ela deu um beijo no Henry e foi para a tal aula.
- Pode colocar suas coisas aqui neste quarto – e mostrou a primeira porta do apartamento.





Fiquei acomodada em uma pequena suíte do apartamento com uma cama de casal, berço e cômoda – totalmente aconchegante, mas não era minha casa e também tinha o fato de já de cara não me sentir bem vinda. Estar ali era apenas uma condição para o Guto ter vindo.  Mal tinha vontade de sair do quarto já que me sentia totalmente deslocada então nem fiz questão de conhecer coisa alguma, fiquei ali mesma sentada na cama, ao contrário do Gustavo que passeava por todo apartamento todo feliz seguindo o papai.





De noite após o Gustavo pegar no sono foi o momento mais constrangedor de todos, eu estava ali na sala por convite do Henry para falarmos sobre o Gustavo – não quer dizer que ele estava mais amável, pelo contrário, ele parecia ainda muito irritado – quando ouvi a porta da sala abrir e a Dayse logo apareceu na sala e quando me viu apenas ignorou.
- Precisamos conversar agora – Assim mesmo, sem ao menos uma boa noite por educação.
- Eu já estou indo. – Eu sabia e ele sabia mais ainda que ela quisesse explicações, muitas explicações, no entanto não tinha muito a ser explicado. – Uma noite intensa de amor e uma gravidez por acidente bem antes de estarem juntos, será que ela queria o que? Detalhes? Por mim estaria ótimo ter ficado como estava, mas a dona Vilma me procurou como agulha no palheiro, a culpa não foi minha.





- Bem fique a vontade por mais que não queira estar aqui eu quero que se sinta em casa – Ele me deixou ali na sala e foi atrás dela que tinha entrado no quarto. – Não demorou ao escutar uma pequena discussão vinda de lá e eu não me importei com isso. Ele quis assim, fui pro “meu quarto” e não conseguia pegar no sono e só ouvi algum tempo depois a porta da sala bater, ela deveria ter ido embora irritada.





No dia seguinte o Gustavo acordou bem mais cedo que o normal, deveria assim como eu ter estranhado o lugar e começou a reclamar enquanto estava no banheiro, logo ouvi o Henry batendo na porta pedindo permissão para entrar, gritei avisando da porta aberta. Quando voltei já devidamente vestida ele estava arrumado dando um beijo de bom dia no filho.
- Vou trabalhar e se não houver emergência volto às duas.  – falou para mim, mas olhando para o Guto. – Durante boa parte da manhã a sua noiva fazia questão de ir e vir sempre que lhe convinha nem que fosse apenas para beber água, como se fosse um cachorro marcando território o que me deixava ainda pior. Ela falou comigo apenas um oi e um tchau e com o Gustavo trocou apenas um sorriso e não passou disso. 

segunda-feira, 4 de março de 2013

Round 03


Deitei, mas isso não significa que eu consegui dormir. Fui ler, rolei na cama e a cada pequeno barulho eu ficava prestando atenção ao que poderia ser. Escutei-o falando com alguém no telefone, porém não conseguia saber com quem era, deveria ser com a dona Vilma. Depois portas abrindo e fechando – pensei que ele estaria saindo de casa com o Gustavo e levantei, mas ouvi o barulho do chuveiro e entrei no quarto e ele já estava dormindo como um anjo. Voltei para o meu quarto e deitei novamente e não tinha como deixar de pensar o que iria acontecer de agora em diante.



Quando amanheceu havia panquecas em cima do balcão e pelo visto ele já havia tomado o café da manhã sozinho. Estava no quarto junto com o Gustavo e pelas gargalhadas dos dois eles estavam se acabando de brincar e eu pensava se devia ou não entrar e acabar atrapalhando o momento. Ou quem sabe ele tinha acordado com um humor melhor? – Bati na porta e entrei. – Ele fez cara de poucos amigos quando me viu.




- Vou sair com ele de novo, vou leva-lo pra vovó passar um tempo com o bisneto, ela não consegue mais se conter de tanta alegria. Percebe a felicidade que tirou de nós por tanto tempo? E prepare-se Julia eu o quero morando em Bridgeport.
- Não pode fazer isso, ou melhor, ele não sai daqui. Ele não vai sem mim e eu tenho meu emprego aqui... Se quiser tanto ele por perto, mude-se você pra cá.
- Eu não posso, sabe que eu não posso. Tenho o meu serviço, pacientes na fila pra operar... E você me deve muito Julia – Ele nunca vai parar de jogar isso na minha cara?
- Então você tem um problema, não eu...



- Deixa de ser ruim Julia! Caramba! Tem muitas crianças lá pra você cuidar se o problema for esse e eu não posso simplesmente olhar para meus pacientes e dizer “sinto muito eu vou embora e fique ai até outro médico aparecer ou morra sem atendimento”.
- Tenho minha casa... Sabe quanto eu suei pra comprar? Não vou abandonar tudo isso só porque você quer.
- Como você disse “você tem um problema e não eu”. Já disse Julia estou disposto a tudo, tudo mesmo para ficar perto do meu filho, nem que pra isso eu recorra à justiça e tire ele de você. – Ele estava falando sério, podia sentir no tom de sua voz ou no seu olhar. Tinha que ponderar ou lutar de frente me traria problemas.



- Eu não vou arrumar um lugar pra morar lá assim de uma hora pra outra, você sabe disso. Eu fico aqui por um tempo até conseguir uma casa por lá.
- Vocês podem ficar no meu apartamento por enquanto.
- Não vou ficar morando no seu apartamento junto com sua noiva, é estranho. Melhor eu arrumar um lugar só pra mim e o Gustavo.
- Como sabe que sou noivo? – Não sabia o que dizer e gaguejei.
- Apareceu uma vez na internet quando fuçava o site de Bridge...
- De qualquer forma a Dayse é minha noiva e não minha mulher, não mora comigo.
- Ainda não acho boa ideia...



- Ela vai ter que entender Julia. – Eu ainda tinha quinze dias de férias, poderia ir com eles e ele faria o tal teste de paternidade se quisesse e eu poderia tentar “sem esforço algum para conseguir” um lugar para morar.
- Passo duas semanas por lá Henry e um olhar feio dela em cima do meu filho eu venho embora, entendido?! Não vou expor o Gustavo a esse tipo de situação.
- Ela não vai fazer isso Julia. Eu não tenho, não quero e não vou desfazer o laço com o meu filho por nada desse mundo.
- De qualquer forma, está avisado. Vou tomar um banho primeiro e já vou lá arrumar o Gustavo e as coisas que vai precisar.



Voltei do meu banho e juro que iria passar direto, mas ouvi-o no telefone. Queria ver a desculpa que ele daria pra me colocar no seu apartamento sem levar uma surra da noiva então eu me posicionei e fiquei escutando... “Amor prepara o quarto de hospedes do meu apartamento? Mas preciso que compre um berço e essas coisas de bebê... Como vou saber Dayse? Pergunte pra vendedora. – houve uma pausa – Eu explico tudo quando chegar ai, eu prometo. Beijos – outra pausa – Sim, claro que estou com saudades. Eu também”. - Um sentimento estranho percorreu por todo o meu ser e meu sorriso rapidamente foi embora, mas eu dei o espaço para ele refazer sua vida, não dei? Agora é aguentar até passar esses dias.