Eu não tenho amigos na cidade eu tenho apenas conhecidos
gratos por eu cuidar tão bem dos seus filhos. Sempre ganho um agrado de pais
que saem pra viajar de ultima hora e deixam seus filhos sobre minha
responsabilidade. Acho que nem tenho tempo para isso o tempo que eu tenho livre
eu curto meu filho e descanso.
Conheço apenas uma um pouco melhor, sabe é
daquelas pessoas que acabamos conhecendo até sem querer por que desabafam
quando bebem um pouco alem da conta no balcão do bar? Esse é o pior da profissão de Mixólogo – Ah sim... Estou me referindo a Estella.Eu a conheci no curto tempo que eu trabalhei no Salão Banzai, ela sempre estava sozinha e infeliz e ficava por horas bebendo todas. Ela me contou um pouco sobre sua vida, como ter sido praticamente obrigada pelos seus pais a casar depois que engravidou da Rebecca, sobre seu marido não ter ambição na vida e por sua promissora carreira de cantora ter ido por água abaixo depois disso. – Não deu para não comparar a história dela com a minha e a do Henry, seria isso que teria acontecido se eu contasse sobre a gravidez pra ele, um dia ele me jogaria isso na cara.
Voltando a história da Estella...
Ela me contou também sobre odiar a vida que levava ter que
cuidar da casa e das brigas que sempre era ela que iniciava.
-“Eu não sei o que vi nele, é sério. Ele não é romântico e
fica horas e horas cuidando daquela horta, sai pra pescar e fica falando de
cavalos. Mas é um bom pai e isso eu admito.” – Pelo menos alguma qualidade ele parece
ter.
Eu nunca tinha visto o marido da Estella e só
sei que ele se chama Martin. - “É um casamento de fachada e qualquer dia me da
à doida e eu largo tudo e vou embora sem nem ao menos olhar para trás, você vai
ver.” – Ela desabafou um dia.
Bem isso é tudo que eu sabia deles, nunca fui a sua casa e
ela só vêm na minha para trazer e levar a Rebecca. Olhem que menina mais linda
ela é muito quieta e tímida e a única coisa que a faz ficar mais solta é quando
brinca com meu bebê, eles se dão muito bem. Ela é um ano mais velha que ele e
tomara que isso não seja um tipo de doença genética que ele tenha herdado do
pai.
Eu nos finais de semana geralmente o levo para o parque onde
costuma ter apresentações e levo uma cesta de piquenique e uns brinquedinhos
para ele e passamos boa parte do dia ali apenas curtindo a natureza, mas no
ultimo final de semana na parte da tarde o levei para conhecer um lugar que não
costumava frequentar muito. É uma praia que não é muito frequentada e tem um
mar calmo.
Havia um pouco mais longe apenas um homem pescando e estava
tudo bem quieto até que coloquei o pequeno no chão e ele tentou fugir me
fazendo gritar pelo seu nome– Volta aqui seu danadinho! E o segurei em
seguida.
O homem parou de pescar, deixou suas coisas no
chão e veio em nossa direção.
- Desculpe, eu não queria atrapalhar – Tentei me justificar
quando ele se aproximou.
- Não se preocupe eu já estou aqui a um bom tempo já esta na
hora de voltar e sem dizer que eu nem acredito que essa história que o barulho
espanta os peixes é verdadeira – Falou olhando com aqueles olhos tão azuis...
- Você deve ser a Lia e esse garotão o “Gutavo” que Rebecca
fala tanto – Ele voltou a falar depois de um longo silencio ou eu que me perdi
no tempo e espaço? Eu sou o Martin o pai da Rebecca, muito prazer.
- Prazer em conhecê-lo. Sua filha é uma graça – E ele
pareceu se orgulhar disso.
Ele é tão diferente
daqueles metrosexuais que existem aos montes por ai todos depilados e roupa da
moda, tipo aqueles que apareciam aos bandos quando eu trabalhava no SPA e
faltavam se matar pra agendar uma hora para fazer uma limpeza facial ou
um peeling. Ele é daqueles que tem a barba pra fazer, corpo peludo que meus
olhos seguiram até o limite e era melhor manter meu pensamento (e os olhar) parando por ai –
“Para de olhar e para de pensar! Ele é o marido da Estella” – disse a mim mesma.
- Então vou indo, boa tarde – despediu- se educadamente. – E
eu fiquei por ali mais um tempo brincando com o Gustavo até ele se cansar então
voltei pra casa para fazer seu jantar.






