segunda-feira, 30 de julho de 2012

Um pouco de diversão


Começou a esfriar e ela entrou na barraca com os cobertores para arrumar e ele continuou ali fora.
- Henry?
- Oi – Ele estava de costa e não virou.
- Não vai entrar? Hoje está mais frio que os outros dias.
- Aqui está bem quentinho, qual o problema as cobertas não são o suficiente pra você? Pensei que com o fogo aceso não sentiria tanto frio.
- Mesmo assim ainda está frio e não quero ser culpada por você congelar ai fora ou pegar uma pneumonia.
- Você que está correndo risco de adoecer nesse frio e com essa roupa, mas quem manda ser teimosa?
- Eu já disse que não sabia... Não vai dormir?


 - Vou ficar acordado mais um pouquinho – Ele levantou e foi pegar um copo com uma bebida que tinha em cima da mesa.
- Bebendo o que?
- Um vinho branco. Ajuda a aquecer e relaxar também.
- Então se não se incomoda vou te fazer companhia – Disse enquanto pegava um copo para si. – Você está bem?
- Estou, mas ver o local do acidente dá tanta saudade, mas se não se incomoda não quero falar sobre isso.
- Tudo bem e que tal falarmos como essa fogueira não está adiantando muito e continua muito frio e devemos ir dormir na barraca?
- Então dessa vez eu estou convidado?
- Sempre foi convidado para dormir você que não quis... Mas só pra dormir. – Disse sorrindo. 


 Eles entraram e ficaram embaixo das cobertas e ele manteve uma distância segura. Ela chegou bem pertinho e puxou o braço dele para que a envolvesse e só então ele se aproximou e ficou ali quietinho até no momento em que passou sua mão pelo seu braço e sentiu sua pele arrepiada.
- Ainda com frio Jully?
- Não... É sua respiração na minha nuca que esta fazendo isso. – E ela retribuiu o carinho passando sua mão pelo braço quentinho dele.
- Não provoca vai! Ou não respondo por mim.
- Que tal só mais hoje? Aceita a proposta? – Ela disse depois de virar para encara-lo


 Ele não pensou duas vezes e a apertou contra si unindo seus lábios e matando toda saudade que ele sentia do gosto da sua boca e suas mãos sentiam de percorrer aquela pele macia e cheirosa. Tudo tão perfeito que nada poderia estragar aquele momento, mas ela lembrou-se de um detalhe e mesmo assim estava tudo tão bom que ela nem precisou fazer tanto esforço para esquecer logo em seguida, afinal só aquela noite de descuido não iria ter problema.
A noite acabou sendo rápida demais para os dois que acordaram com o calor que fazia na barraca. – Hora de voltar à vila.


Eles voltaram para o acampamento e a primeira coisa a fazer foi tomar um banho bem refrescante para tentar tirar toda aquela poeira do corpo. Depois fizeram uma alimentação decente era finalmente a hora de a Julia fazer algum turismo, comprar pelo menos alguma lembrancinha antes de partirem.
 - Olha Jully eu vi e lembrei-me de você – Ele disse mostrando um embrulho de presente e dentro dela uma maçã fossilizada como a que ela tinha visto em sua casa.
- Obrigada Henry eu adorei.
E no final da mesma tarde eles embarcaram no avião de volta pra casa.





terça-feira, 24 de julho de 2012

AlSimhara Parte 03


Seguiram de carro por um bom tempo e quando estava quase para anoitecer ele parou.
- Vamos passar a noite aqui.
- Aqui aonde? Tá doido? Só tem aquelas ruínas ali.
- Lembra-se da minha casa? Então é a mesma coisa. Foi daí que surgiu a ideia de guardarem aquelas coisas no subsolo.
- Entendi. Então vamos logo, quero ver como é e estou começando a ficar com frio.
- Eu disse que iria se arrepender...


Estava longe de ser como ela imaginava, era muito mais assustador e ainda fazia frio, mas dava pra suportar. Ele armou uma barraca e comeram alguma coisa antes que o cansaço chegasse. Ela entrou primeira e ele continuou ali do lado de fora.
- Não vai dormir Henry?
- Vou dormir aqui fora.
- Tem certeza? Aqui esta mais quente.
- Não sinto tanto frio como você e até onde eu sei a senhora gosta de ficar sozinha então estou te dando sua privacidade. Boa noite.
- Você que sabe. Boa noite.


 - Faz tempo que não sentia tanto frio Henry, porque não me avisou? Acho que meu cérebro começou a congelar.
- Eu disse para se vestir como as pessoas daqui. Nunca ouviu dizer que no deserto de dia o calor é quase insuportável, mas quando anoitece o frio também é intenso? Pode chegar a -5°
- E porque me deixou para dar essa aula aqui no meio do nada? Quer que eu morra congelada?
- Não, eu trouxe outra coberta e deixei no carro, só queria te ensinar uma lição senhora sabe tudo.
- Deixa você me tirar daqui que eu te mato moleque!
- Se seu reumatismo deixar, né vovozinha?  Vamos embora vai.


Passaram por outros lugares estranhos e no último ele achou o que parecia ser uma pista deixada pela dona Vilma.
- Olha Julia, ela esteve aqui. Deixou flores para os meus pais. Ela faz isso sempre que vem pra cá.
Isso é ótimo Henry – ela tentou agradar, mas viu seu olhar de tristeza em seguida –Quer ficar um pouco sozinho? – E sem esperar por resposta ela retirou-se e ficou esperando no lado de fora.
Ele não demorou muito, talvez tenha dado tempo para uma oração, não sei.
- Vamos Jully, melhor voltarmos para você dar mais uma volta pelo vilarejo. Eu tenho que devolver o carro e arrumar nossas coisas agora eu sei que ela está bem. Com certeza ela foi pra casa dos amigos que ela tem na cidade próxima daqui e logo estará de volta pra casa.

 Para sair dali ele deu umas voltas e passou por umas salas estranhas e esquisitas ela quase enfartou ao ver um esqueleto no chão e quase pisou em cima.
- Tem um esqueleto aqui Henry! – E deu um grito ensurdecedor
- Calma sua doida, isso não é de verdade. - e ele riu - Aqui eles colocam essas coisas para os turistas. Ali onde está os túmulos já é um lugar mais restrito, são poucos que chegam ali sem precisar de um guia.
Aproveitando ela deu uma mexida nas coisas por ali para conhecer mais sobre aquela cultura totalmente diferente da dela.


Fizeram uma última parada antes de chegarem à cidade e dessa vez não tiveram a mesma sorte de acharem um esconderijo para passarem a noite e tiveram que acampar a céu aberto, mas em um lugar mais agradável.
- Olha Henry que lindo! Tão fofo, queria poder levar pra casa.
- Você não consegue cuidar de você mesma Jully.
- Claro que consigo, do meu modo eu sei me cuidar muito bem.
- Se é o que você pensa vou te deixar se iludir.


 - Agora que sabe que sua vó está bem... Quando voltar pra casa qual vai ser seus planos?
- Vou procurar outra casa para a vovó, acho que ela não vai mais querer ficar naquela, vou voltar a me dedicar mais a faculdade e aceitar estágio remunerado de seis meses que me ofereceram em Riverview. – O professor disse que é raro eles chamarem um aluno que está no quarto ano e que eu deveria aproveitar a oportunidade.
- Bons planos. E eu devo continuar no lugar de sempre fazendo o que gosto e trabalhar no SPA para completar a renda. - Disse um tanto frustada.
- Falar nisso deu mau pressentimento, credo. Já anoiteceu, melhor deixar de conversa, arrumar as cobertas na barraca e ir dormir logo vai esfriar mais.
- Tem razão, conversa estranha... Vou me trocar.