terça-feira, 16 de abril de 2013

Cecy

Acordei pouco tempo depois quando ouvi o Gustavo me chamando, deveria estar com fome. Apenas lavei meu rosto e fui em direção a cozinha e lá estava ela na sala já arrumada conversando com outra amiga. Uma moça com um tom de pele de um moreno maravilhoso e assim que me viu deu um largo sorriso.
- Deve ser a Julia, prazer, Cecy.
- Prazer Cecy – Retribui o sorriso assim que nos cumprimentamos. – gostei do jeito dela.




- Ela parece mesmo perfeita para o nosso propósito Dayse. Precisamos apenas dar uma repaginada em alguns detalhes e pronto. – Vamos ver como você fica. Coloca o braço assim e a perna direita assim... Agora consegue fazer uma cara de irritada? Assim que fiz o que ela mandou Cecy começou a me analisar.
- Depois que fizer um breve curso sobre o assunto que deverá fazer e em menos de um mês poderemos começar. Não vai arrepender-se se aceitar.
- Um mês? – Disse um pouco decepcionada – esperava sair logo do apartamento, mas com isso também daria tempo pra ir com o Gustavo a Starlight Shores providenciar minha demissão e a venda da casa.




- Também acho tempo demais – a coisinha entendeu minha pergunta e retribuía da mesma dimensão de desgosto. – Achei melhor ignorar.
- Quando o curso começa? Preciso resolver umas coisas em outra cidade...
- Em quatro dias e tem a duração de quinze dias – Cecy respondeu – Deve dar tempo pra você resolver tudo, não é?
- Sim, amanhã é meu ultimo dia no curso que eu preciso concluir, e logo depois eu vou. Agora, com licença, preciso alimentar meu filho. – apenas peguei a comida do Gustavo e levei para o quarto. Ainda tinha que tomar um banho, dar um banho nele, chamar a babá e ir ao curso.
- Combinado então.




Entrei no quarto saltitante e depois de abraçar forte, encher meu filho de beijos e dar sua mamadeira – Logo teremos uma casa só nossa meu amor – Passado um tempo eu voltei até a sala e elas já não estavam mais ali, aproveitei para ir até o computador para enviar um e-mail ao Martin avisando sobre minha ida e aproveitei para colocar minha casa a venda em uma imobiliária virtual da cidade. Depois já fiquei animada e quase comecei a arrumar a minha mala, mas é melhor para fazer isso no sábado, não pretendo ficar mais do que dois dias por lá então vai ser rápido. 



Estava brincando na sala quando o Dr. Henry voltou do trabalho ele sentou ao meu lado desviei um pouco para que se juntasse a nós. Aproveitei que a coisinha não estava em casa e falei sobre a breve viagem.
- Pode esquecer a ideia, o Gustavo vai ficar comigo. – Ele disse antes mesmo de eu continuar a falar.
- Não, ele vai comigo.
- Não ele vai ficar.
- Eu vou levar para dar tchau pra amiga dele e nem vamos demorar. Assim que resolver tudo eu volto de carro e menos de quatro dias estaremos de volta.
- Então eu também vou e volto dirigindo, não confio que vai voltar e muito menos em você dirigindo trazendo meu filho.




- Ele é meu filho e um motivo a mais para tomar cuidado na volta. E não, você não vai. Se não confia em mim azar o seu, mas amanhã mesmo eu assino um contrato com a Cecy, hoje ela já vai agendar o meu curso então eu tenho que cumprir ou pago multa.
- Não acha que seria melhor resolver tudo isso sem uma criança pra cuidar?
- Ele nunca ficou um dia sem mim Henry, pode estranhar. Ele mostrou indiferença e continuou expondo as vantagens de ir sem o Gustavo e que teria cuidados especiais enquanto estivesse fora.
- Ele gosta de ficar comigo e você sabe disso e também chamo uma babá para ajudar, prometo deixar ele seguro e cuidar direitinho. E não vou fugir carregando ele. E você ficaria mais a vontade para dar tchau ao pai da amiguinha do Gustavo. – ele alfinetou ao se levantar.




Ele conseguiu me tirar do sério, o dia estava bom demais para ser verdade.
- É talvez eu queira mesmo dar um tchau bem demorado com o Martin. – suspirei.
 E faz um favor? VÁ À MERDA! – gritei indo para o quarto.
O infeliz ficou na sala sorrindo, como pode? Sabia que no fundo ele tinha razão então me restava fazer um milhão de recomendações - Dei meia volta - Depois vou te mostrar onde  guardo os remédios que ele toma quando fica doente todos devidamente embalados e etiquetados para não esquecer o que serve para cada doença (como se ele não soubesse).
- Mas eu sei muito bem disso Julia – ele falou ainda com senso de humor, mas não importava seu diploma eu conhecia o Gustavo muito mais do que qualquer médico e pronto!




sexta-feira, 5 de abril de 2013

Provocações

Maravilha estar na noite novamente mesmo que seja para trabalhar. Minha intenção no inicio era que quando eu cansasse sairia dali e daria uma volta, mas o lugar estava animado e havia mais coisas que eu imaginava de novidades acabei me distraindo por horas naquele lugar. Quando me dei conta já estava na hora de fechar.



 Fui andando bem devagar aproveitando ao máximo a calma madrugada, o dia que já estava perto de clarear e tudo estava bem até notar um pouco mais a frete o edifício que eu teria que entrar. Chamei o elevador e fiquei pensando... Não dava mais, cheguei ao meu limite de tudo aquilo e querem saber? Dane-se se eu tenho ou não carisma, ou seja, lá o que for. Se a Lizy acha que eu devo fazer as fotos eu vou fazer – se compensar mesmo – e quanto mais rápido eu fizer e mais rápido vender a casa de Starlight Shores mais rápido a tortura termina. Se eu perceber que vai demorar a venda da casa eu alugo uma e saio de lá e assim ter minha liberdade de volta.



Assim que entrei no apartamento dei de cara com a coisinha envolvida em apenas uma toalha, a infeliz dormiu lá, poderia não ser, mas pra mim isso sempre parecia uma provocação. Precisava mesmo ela andar assim pelo apartamento?
- Ei diga para a sua amiga que quero falar com ela, acho que vou aceitar a oferta. – Ela não pode evitar um sorriso de satisfação, claro ficaria livre de mim e do meu filho do “seu território”.
- Que trabalho? – Henry apareceu na sala vestido apenas em uma calça de moleton.
- Ela aceitou o convite para posar uns modelos da Cecy – E virou para mim – Vou ligar para ela logo mais. 




- Você não é modelo, porque aceitou?
- Por causa do dinheiro oras bolas, que pergunta idiota. Vendendo minha casa da outra cidade não da para comprar uma por aqui.
- Eu posso pagar os anos de pensão atrasada do Gustavo.
- Não precisa, já que não sabia da existência dele.
- Mas eu quero! – ele insistiu – eu iria o mandar enfiar lá onde não bate sol, mas não iria adiantar e só desencadearia outra discussão então novamente eu cedi.
- Não quero seu dinheiro se ainda não percebeu, mas se faz questão abra uma conta para o Gustavo e deposite lá, não vou usar um tostão dele.




- E qual o problema? Você arcou com tudo até agora, pegue um pouco para a casa e guarde o resto.
- Já disse que não quero.
- Nunca vi alguém tão cabeça dura em toda minha vida Julia!
- Se eu consigo as coisas sem precisar da ajuda de alguém não vejo por que não fazer.
- Eu vou abrir a conta assim que você for ao cartório para colocar o meu nome na certidão do Gustavo.
- E o tal exame? Já fez? Teve varias oportunidades para isso. – mudei de assunto.
- Não precisa.
- Ah precisa sim, não quero que fique qualquer duvida.




-  Eu também acho que deveria fazer o exame Henry. – a coisinha veio se intrometendo.
- Desculpe Dayse, mas isso não te diz respeito. – o Henry falou e ela ficou com a cara no chão – confesso que quase ri naquele momento, mas me segurei – e com toda a minha força. Então não consegui mais e fiz coisa pior, já havia engolido suas arrogâncias por tempo demais.
- Posso te dizer com detalhes como tudo aconteceu naquela noite querida e me admira de não ter nascido gêmeos. – exagerei – agora com licença, vou ver como meu, quer dizer, nosso filho está. – falei encarando o Henry, e adorei ver que ela estava ficando roxa de raiva, mas precisam ver a cara que fiz de tanta preocupação.




Ele veio logo atrás para defender sua amada.
- Não deveria ter falado aquilo pra ela Julia, ela não merece ser tratada daquele jeito.
- Por quê? Aonde eu menti? Esqueceu-se de como tudo aconteceu? – fique na ponta dos pés e o provoquei falando baixinho bem pertinho quase unindo nossos lábios. Ele congelou e eu senti as batidas do seu coração acelerar. – Esqueceu Bebê? – continuei provocando.
- Não, claro que não, mas... – Coloquei o dedo impedindo que falasse e confesso que por um momento eu quase vacilei ao sentir seu perfume e fiquei perto de fazer uma bobagem.
- Ela vem me irritando faz tempo, mas prometo me controlar até lá e eu e o Gustavo não vamos mais incomodar o casal. Agora se me der licença vou dormir um pouco antes de o Guto acordar. – me afastei e ele saiu depois de ouvir a coisinha gritando seu nome.