Dei um banho nele, um antitérmico e fiquei no sofá assistindo TV até que pegasse no sono.
Coloquei-o no berço e quando virei para sair dei de cara com a foto do Henri ali parada parecia me acusar. Pronto foi minha vez de me sentir mal.
Sai do quarto enquanto e sentei novamente no sofá fiquei
pensando nas burradas que eu aprontei durante desde que eu me conheço por
gente. Não era tão mal. Um relacionamento ruim aqui, outro ali, vivia em um
buraco trabalhando em um emprego que eu gostava, mas mal pagava minhas contas,
um filho sem pai... – Droga eu perdi meu sono.
Não sou muito organizada e isso vocês sabem, mas agora me deu vontade de sair limpando tudo que aparecia na minha frente. Banheiro, cozinha, roupa e até a estante de livros passou por uma faxina. Livros velhos e inúteis que não sei pra que servem e até um que comprei no Egito por causa da capa bonita . Eu lá iria algum dia na minha vida pescar crocodilo ou peixe múmia? O que é peixe múmia? Um peixe enrolado em gases ou petrificado? Cada coisa... Iriam para uma pilha de livros usados que doarei para alguma escola ou alguma instituição interessada e os brinquedos para uma creche ou orfanato.
Passei a noite em claro enquanto limpava ia ver o Guto de vez em quando, só sei que no final tinha um monte de tranqueira do lado de fora e acho que podia até ver minha casa brilhar. Só não sei se aguentaria ficar em pé até a última criança voltar para suas casas. – O dia já estava claro e eu nem havia me dado conta.
- Faxina logo cedo? – Levei um susto ao abrir a porta para
colocar o último livro lá fora. Não contava me deparar com o Martin na minha
frente, novamente ele era o primeiro a chegar.
- Ah, oi... Bom dia – As crianças iriam começar a chegar e
faltava arrumar em pilhas o que iria ser doado, os livros e as coisas velhas e inúteis que o lixeiro iria recolher.
- Pode colocar a Rebecca ali, os brinquedos estão arrumados na sala, só vou levar essas coisas ali na calçada e já volto. – Ainda estava com a roupa de ontem.
Quando eu virei para pegar mais bagunça ele estava perto de
mim carregando um cesto grande e cheio de bagunça que ajudava a segurar com o queixo para não despencar.
-Só tem algumas revistas lá, mas pode deixar que eu pego
porque parece que escutei o Gustavo chorar.
- Ele não passou bem durante a noite, vou lá ver como ele está.
O Gustavo voltou a dormir e quando eu retornei ele ainda estava ali na sala.
- Desculpe, mas eu poderia ficar com esse livro? –
Justamente o livro mais inútil da minha estante sobre pesca.
- Claro que sim. Comprei isso nem sei por quê.
- Já procurei e tentei encomendar, mas não encomendam livros
de tão longe. Como conseguiu?
- Eu fui com um amigo pro Egito e comprei por comprar.
- Eu vou indo, só trabalho de tarde então da tempo de
ler um pouco antes de ir.
Estava cansada e com fome e queria tomar um banho antes que as outras cinco crianças chegassem.
- Ei, posso pedir um favor? Se não for te atrapalhar, é claro.
- É só falar.
- Preciso tomar um banho... Pode olhar eles só por uns cinco
minutinhos?
- Sem problemas – outro sorriso desses e eu sou capaz de passar mal. –
Coloquei o café pra fazer e fui.
Voltei arrumada e perfumada para a sala e mesmo depois de quase todas as crianças em casa não faria mal convida-lo para tomar um café.
- Aceita? - Ofereci pegando uma caneca.
- Hum o cheiro está bom, eu não estou mesmo com pressa. Aceito.
Por um tempo ele ficou quieto olhando a filha brincar e depois olhou pra mim novamente.
- Lia eu estava pensando se você não gostaria de... – Ele foi interrompido pelo grito do Gustavo que havia acordado novamente.
- Desculpe eu tenho que ver se ele está bem – Falei sem vontade de sair do lugar. O que ele iria falar? Pelo olhar eu tenho certeza que ele iria me convidar pra fazer alguma coisa.
- Me desculpe não quero te atrapalhar.
- Não,
pode ficar. Eu só preciso mesmo ver se ele melhorou.
- Eu volto
para buscar a Becca de tarde. – Ele levantou em seguida e foi embora.














