segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Dia de faxina

Agora acho que não foi uma boa ideia ter levado o Guto tão tarde na praia. Assim que chegamos antes de dormir ele começou a ficar enjoado e um pouco febril. Nem a comida favorita dele ele quis comer.
Dei um banho nele, um antitérmico e fiquei no sofá assistindo TV até que pegasse no sono. 



Coloquei-o no berço e quando virei para sair dei de cara com a foto do Henri ali parada parecia me acusar. Pronto foi minha vez de me sentir mal.

Sai do quarto enquanto e sentei novamente no sofá fiquei pensando nas burradas que eu aprontei durante desde que eu me conheço por gente. Não era tão mal. Um relacionamento ruim aqui, outro ali, vivia em um buraco trabalhando em um emprego que eu gostava, mas mal pagava minhas contas, um filho sem pai... – Droga eu perdi meu sono.
 


 Não sou muito organizada e isso vocês sabem, mas agora me deu vontade de sair limpando tudo que aparecia na minha frente. Banheiro, cozinha, roupa e até a estante de livros passou por uma faxina.  Livros velhos e inúteis que não sei pra que servem e até um que comprei no Egito por causa da capa bonita . Eu lá iria algum dia na minha vida pescar crocodilo ou peixe múmia? O que é peixe múmia? Um peixe enrolado em gases ou petrificado?  Cada coisa... Iriam para uma pilha de livros usados que doarei para alguma escola ou alguma instituição interessada e os brinquedos para uma creche ou orfanato.



Passei a noite em claro enquanto limpava ia ver o Guto de vez em quando, só sei que no final tinha um monte de tranqueira do lado de fora e acho que podia até ver minha casa brilhar. Só não sei se aguentaria ficar em pé até a última criança voltar para suas casas. – O dia já estava claro e eu nem havia me dado conta.

- Faxina logo cedo? – Levei um susto ao abrir a porta para colocar o último livro lá fora. Não contava me deparar com o Martin na minha frente, novamente ele era o primeiro a chegar.

- Ah, oi... Bom dia – As crianças iriam começar a chegar e faltava arrumar em pilhas o que iria ser doado, os livros e as coisas velhas e inúteis que o lixeiro iria recolher.
 



- Pode colocar a Rebecca ali, os brinquedos estão arrumados na sala, só vou levar essas coisas ali na calçada e já volto. – Ainda estava com a roupa de ontem.
Quando eu virei para pegar mais bagunça ele estava perto de mim carregando um cesto grande e cheio de bagunça que ajudava a segurar com o queixo para não despencar.

-Só tem algumas revistas lá, mas pode deixar que eu pego porque parece que escutei o Gustavo chorar.

- Ele não passou bem durante a noite, vou lá ver como ele está.




O Gustavo voltou a dormir e quando eu retornei ele ainda estava ali na sala.

- Desculpe, mas eu poderia ficar com esse livro? – Justamente o livro mais inútil da minha estante sobre pesca.

- Claro que sim. Comprei isso nem sei por quê.

- Já procurei e tentei encomendar, mas não encomendam livros de tão longe.  Como conseguiu?

- Eu fui com um amigo pro Egito e comprei por comprar

- Eu vou indo, só trabalho de tarde então da tempo de ler um pouco antes de ir.
 

 


Estava cansada e com fome e queria tomar um banho antes que as outras cinco crianças chegassem.

- Ei, posso pedir um favor? Se não for te atrapalhar, é claro.

- É só falar.

- Preciso tomar um banho... Pode olhar eles só por uns cinco minutinhos?

- Sem problemas – outro sorriso desses e eu sou capaz de passar mal. – Coloquei o café pra fazer e fui.



Voltei arrumada e perfumada para a sala e mesmo depois de quase todas as crianças em casa não faria mal convida-lo para tomar um café.
- Aceita? - Ofereci pegando uma caneca.

- Hum o cheiro está bom, eu não estou mesmo com pressa. Aceito. 
Por um tempo ele ficou quieto olhando a filha brincar e depois olhou pra mim novamente.

- Lia eu estava pensando se você não gostaria de... – Ele foi interrompido pelo grito do Gustavo que havia acordado novamente.
- Desculpe eu tenho que ver se ele está bem – Falei sem vontade de sair do lugar. O que ele iria falar? Pelo olhar eu tenho certeza que ele iria me convidar pra fazer alguma coisa.
- Me desculpe não quero te atrapalhar.
- Não, pode ficar. Eu só preciso mesmo ver se ele melhorou.
- Eu volto para buscar a Becca de tarde. – Ele levantou em seguida e foi embora.


sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Trabalho, mais trabalho, um pouco de diversão e um sorriso

Realmente eu estava me lixando com o fato da palhaçada que o Moisés aprontou o que me incomodava mesmo era toda aquela bagunça, os choros e sujeiras. Hoje minha cabeça começou a doer. Demorou mais que o normal para que a hora passasse e não estava aguentando mais mesmo assim eu concentrei em dar mais atenção à pequena Rebecca.

Brincamos juntos até perto de dar a hora de o papai voltar para busca-la. 



- Obrigado novamente por tudo e mais uma vez desculpe.

- Já disse sem problemas eu só estou preocupada com ela. Esta triste e... Bem me desculpe a intromissão no assunto, mas ela falou que a mamãe foi embora.
- Foi à escolha da mãe dela, mas antes de ir a Estella passou uns dias com a Beca e conversamos com ela sobre a mamãe precisar ir, mas ela vai ficar bem, não é amor? – A curiosidade de perguntar se ele também ficaria bem veio até a ponta da língua, mas eu engoli de volta, não é da minha conta isso.



Bem depois de alguns dias ela já estava melhor e eu um pouco mais atrapalhada que o normal. Contaram quantas crianças eu estou cuidando agora? Contando com o Guto agora são sete ao todo e passo o dia cuidando deles e a outra parte que por sinal é de noite eu tomo um banho, dou um banho no Guto e caímos na cama de tão cansados. Por conta disso eu deixei de passear com o Gustavo durante os finais de semana e não era justo, precisávamos sair de casa um pouco.



Sair mas não para longe. Com o meu cansaço o lugar ideal é a praia bem aqui pertinho.  Pouquíssima frequentada então perfeita para nós. Já era final da tarde quando peguei o Gustavo e o levei para lá.

- Vem amor, a mamãe ajuda. – Eu tentei, mas por nada no mundo ele quis entrar no mar.
- A mamãe quer tanto entrar só um pouquinho... Por favor... – Disse quase implorando, mas não teve acordo.
- Ali papai, não disse que tinha visto o Gutavo e a tia Lia? – Ouvi a voz animada da Rebecca bem próxima de mim.


- Se quiser eu cuido dele para você nadar um pouco – ele ofereceu assim que se aproximou.

- Ah não, obrigada – Falei sem graça
- Eu sempre cuidei da Rebecca e ela está inteira, como você sabe. Não custa nada ficar um pouco com o Gustavo – Bem ele que ofereceu vocês estão de prova.  – Tirei a canga e entrei na água. Não era difícil de notar ele acompanhando meus movimentos com a cabeça ou com os olhos.



Bem eu nadei um pouco e só olhava de vez em quando, mas o Guto ainda brincava todo feliz com sua amiga. – Logo começou a escurecer e quando ia sair da água eu voltei a dar uma olhada, dessa vez encarando um pouco mais, e ele abaixou a cabeça e colocou a mão no rosto – Ele queria dar algum tipo de privacidade, era isso? Já era hora de dar a janta do Gustavo então coloquei de volta a canga e peguei meu filho. Caminhamos juntos até a frente de casa.

- Boa noite e obrigada por olhar o Gustavo.
- Boa noite – e deu um lindo sorriso. Ah eu tinha esquecido como o sorriso dele era bonito 




Dei um banho e coloquei o pijama do meu filho, Fiz pra ele a comida que ele mais gosta e enquanto eu tomei um banho super-rápido ele tinha feito questão de jogar a colherzinha no chão e comer com sua mãozinha se sujando novamente. – que maravilha – Dei outro banho nele e coloquei pra dormir e quando voltei pra cama me peguei pensando novamente no sorriso do Martin.